quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A Macaca Catarina*



Trecho do poema "A macaca Catarina" de Décio Bittencourt

Morreu a macaca! Catarina morreu
Todo mundo chorou... Menos eu!
Sabe quem morreu também?
A Amélia... açougueira...
Vendia a carne que Deus lhe deu!
Doença de rua!
Inveja a Amélia tinha da cachorrinha da D. Dedé,
perfumada, comendo bolo, lambendo café!
A Fifi, quando morreu,
Cadelinha de estimação que era, teve até túmulo
no cemitério do Ibirapuera!
Amélia nada. Morreu ali na enxurrada!
A Fifi teve uma cruz quase Calvário.
Um anjo de asa!
A Amélia? Cova rasa!
Entendeu?
Ninguém chorou?
Chorei eu!
Morreu a macaca!
Catarina morreu.
Todo mundo chorou...
Menos eu!

*A macaca Catarina foi o animal mais querido do Jardim Zoológico do Rio de Janeiro nos anos 40 e 50. Quando ela adoeceu, boletins informavam pelo rádio e jornais a evolução da doença, prognósticos e tratamento até a sua morte. A morte da macaca Catarina foi motivo de grande comoção nacional.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Novas Camisetas do Coletivo!!!

Pessoas amadas,

O Coletivo de Mulheres fez novas camisetas, praticamente iguais as do II Encontro de Mulheres.
Estaremos vendendo elas pela singela quantia de R$ 15,00, num esforço de financiar nosso Coletivo que é um organismo político independente, e por isso mesmo, sobrevive de finanças próprias.
As camisetas podem ser encontradas nas atividades do Fórum Social Mundial, a começar pela marcha de abertura, ou com qualquer militante do Coletivo.

Saudações Roxas (e Vermelhas!)

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Transgredir para Respirar


Ação da Via Campesina durante a Jornada Nacional de Luta das Mulheres demonstra a força da mobilização feminina na resistência contra a opressão do Estado.

por Jefferson Pinheiro

do Coletivo Catarse

Sentadas na grama, à beira da estrada, em frente ao assentamento Conquista do Chão, em Candiota/RS, no final da tarde de 09 de março, elas bebem cachaça no bico (escondido das crianças), contam histórias, riem. Enquanto o amarelo-luz vai esmaecendo, e um vento quase frio embaralha os cabelos. À noite, se encantam com um céu de lua e estrela. Elas - que conhecem a exclusão, a exploração, a opressão e a repressão, e tomaram consciência de que juntas podem mudar algumas coisas, e de que muitas coisas precisam mudar - têm os olhos no futuro e uma luta no presente. São as mulheres da Via Campesina. São fortes, apaixonantes.

Do outro lado da rua de terra fica a Fazenda Ana Paula, propriedade de 18 mil hectares da Votorantim Celulose, 7.500 deles uma imensa lavoura de árvores, que os ambientalistas chamam de deserto verde. Foi ocupada pela manhã, quando cerca de 700 mulheres cortaram centenas de eucaliptos pra denunciar que a monocultura na região resseca os mananciais de água, ameaça a biodiversidade, degrada o meio ambiente, expulsa o trabalhador do campo e gera pobreza.

Domingo, dia 08, por volta das 19h, saímos de Porto Alegre debaixo de chuva, um grupo de jornalistas da mídia alternativa, seguindo um carro com integrantes do Movimento. Não sabíamos pra onde. Nessas ações, quanto menos pessoas souberem o destino é melhor, para que a informação não vaze.

Joana diz que a ação foi planejada por meses, e um vacilo agora poderia comprometer tudo. Viajamos a noite toda, parando às vezes para que elas monitorassem a estrada, atentas a alguma movimentação da polícia, esperando parte do comboio, que vem de diversas regiões do Estado. É importante que todos os ônibus cheguem ao local de encontro no mesmo horário, porque um veículo parado por horas junto à estrada pode levantar suspeita. Ficamos lá alguns minutos. Minutos longos. A tensão cresce. Dois carros passam, observam. Seguem. Se avisarem a polícia, se algo der errado nesse momento, a mensagem preparada para o amanhecer será frustrada. Ansiedade latente. Atrás de uma curva crescem as luzes. Expectativa. Murmúrios. Silêncio...

“São elas!”, alguém grita. São as mulheres da Via Campesina, as companheiras, as lutadoras pelas quais se esperava.

Até o local onde a cerca será cortada são mais 40 quilômetros de ruas de areia bem esburacadas. Luiza está a alguns dias na região preparando os detalhes. É ela que ensina os caminhos a tomar no escuro. Antes do dia acordar, param para que as foices e os facões, escondidos na grama, sejam carregados. O rosto junto à janela de vidro, o olhar pra além das cercas desse lugar de conflito e injustiça enxerga tudo o que virá depois. As notícias, os interrogatórios, julgamentos... Conseqüências. Mas há convicção de que é preciso fazer. Enfrentar.

O comboio manobra, volta um trecho, acha o ponto. A foice contra o caule é um símbolo, um recado, uma denúncia, um grito. Embaixo dos eucaliptos nada floresce. É tudo seco, árido, estéril. Seriam cortados mesmo pelas máquinas. Na hora do lucro, do muito lucro. Na hora em que as empresas ficam com tudo e a terra fica vazia, usada no limite. E o homem e a mulher já terão ido embora: favela, cidade, desemprego, informalidade, miséria, problema.

Por isso elas vibram com cada eucalipto que vem abaixo. Comemoram. Fazem festa. Nas mãos vão ficando os calos. No rosto vai entrando um sorriso. Sorriem com os olhos atrás dos lenços. Era pra terem derrubado mais. Mas ano passado a luta foi dura. A polícia bateu sem piedade. A lembrança incomoda. Por aqui já está bom. Hora da marcha.

A área do latifúndio circunda 53 assentamentos, onde 1.800 famílias de agricultores produzem para a subsistência e o mercado local. Além de alterar o bioma do pampa, de prejudicar o meio ambiente, a Votorantim demitiu, em nome da crise financeira, trabalhadores urbanos temporários que não servem mais aos seus negócios.

“Como é bom o cheiro de eucalipto cortado ao amanhecer”, diz o câmera extasiado, enquanto colhe as imagens e respira no ar úmido do suor feminino. Elas marcham sobre as pedras do chão, entre o arame farpado e o mar de eucalipto. “É por amor a esta pátria, Brasil, que a gente segue em fileira”, repetem orgulhosas. São de todas as cores, carregam muitas dores, têm todas as idades. Não vão à academia, nem tem a pele protegida por cremes. Não vestem vestidos, nem saltos, não usam batom, não pintam o cabelo e nem por isso são menos lindas, delicadas, sedutoras, femininas. “Não há socialismo sem feminismo”, ensinam.

E educam seus filhos pra que entendam essa luta, dentro das lutas. Elas os educam na beira das estradas, sob os barracos de lona, sob o sol e com os pés na terra. Os fazem experimentar a rua, plantar o que será comida, sentir o cheiro da chuva, estudar a vida que levam e a que querem poder levar, viver em comunidade, viver em solidariedade, somar força e dividir conquista. E fazem isso com cuidado, preservando a fantasia e a brincadeira. Porque quem sonha também ensina a sonhar.

A polícia chega pelos dois lados de quem marcha, atravessa a fileira dos que caminham. Ostenta o aparato militar. Fazem cara de mau ou transformaram mesmo sua fisionomia? Intimidam. Alguns poucos destoam. A farda não consegue desumanizar a todos. Consegue?

Perdi a conta dos quilômetros sob o sol. Foram muitos. Umas ajudam a carregar os filhos das outras, quando os braços já não agüentam esses quilômetros. Paramos duas ou três vezes pra beber e comer pão com banana, dividir os alimentos das mochilas. Se reúnem em grupos, debatem, montam estratégias, tomam decisões. Até chegar a frente de uma das entradas do assentamento Conquista do Chão e da Fazenda Ana Paula. Então descarregar as trouxas, as madeiras e as lonas. Foi rápido a montagem para o acampamento improvisado. Ali passamos a noite. Mas nem todos dormiram.

A cada cinco ou dez minutos um dos carros da polícia cruza o acampamento, lentamente. Toda a noite, toda a madrugada. Era possível ver a estrada bloqueada nos dois sentidos. Quem fosse assentado ou suspeito de ser apoiador dos sem terra não passava. Outros mais ricos menos “perigosos” podiam. “O soldado também é uma vítima do sistema”, pensam as acampadas. Um ou outro soldado também entende que a reforma agrária é uma reivindicação justa. Essa compreensão, porém, não muda o que cada um desempenha na realidade que os coloca frente a frente.

Marisa conta que algumas mulheres foram dormir calçadas. “É pra poderem levantar correndo, caso os policiais ataquem durante a noite”, explica. Tiros de borracha feriram algumas manifestantes no 08 de março do ano passado (2008). E apesar da coragem que as trouxe até aqui, algumas receiam ficar na mira dessas armas novamente. As acampadas se revezam na vigília, que observa o movimento dos carros da Brigada Militar. É delas a tarefa de avisar às outras numa ação da polícia.

E esperam o momento em que a polícia virá. Serão menos violentos dessa vez? Vem também a cavalaria? Vão atirar com as balas de borracha que queimam a pele e machucam a carne? Vão nos prender, depois de nos identificar? Perguntas, pensamentos que atravessam a noite e amanhecem junto com cada uma. Estão pressionadas, embora nem todas demonstrem. Mas sabem o que querem e pra onde vão.

Foi depois do café, quando as crianças brincavam de ciranda, se divertiam num trenzinho humano que as educadoras faziam circular pelo acampamento. Carros, caminhonetes, caminhões, ônibus, helicóptero. No mínimo uma centena de policiais, cavalos, cães, tropa do Batalhão de Operações Especiais (BOE), escudos do “Choque”, capacetes, porretes, coturnos, bombas, pistolas, escopetas. Contra as mulheres de lenço, boné, escudos feitos de madeira barata (que servem mais como cartazes para suas mensagens), facões e foices, usadas para cortar os eucaliptos e montar os barracos. E crianças.

Os policias com seus cães de guarda. Os cães de guarda dos policiais as cercam, obrigam a se desfazer de suas ferramentas, de seus lenços e de seus escudos. Tudo vai para dentro do caminhão de “Carga Viva” da Brigada. Com os escudos, vão sendo apreendidas as mensagens que eles carregam. Cristiano, um oficial, joga pra dentro do caminhão o recado: “Lutamos contra o atual modelo do Governo”. Um protesto que virará lixo no lixo do governo, ou prova do governo contra as mulheres que ousam enfrentá-lo.

Cercadas, formam uma massa humana, um corpo só, uma única voz de 700 vozes. Cantam, batem palmas, enquanto seus barracos vão sendo revistados e destruídos pelas Forças de “Segurança”. Nesse momento não há medo. Olhar altivo, dão as mãos, juntam as forças, jogam pra cima em palavras de ordem: “Pátria livre, venceremos!”.

É possível. As 370 mil famílias assentadas por meio das ocupações de terra nos últimos 25 anos provam isso. Mas é difícil. São muitos momentos duros. Assassinatos. Eldorado dos Carajás, Jair da Costa, Keno e tantos outros. Serão muitos momentos duros. O Ministério Público Estadual e o Federal trabalham para desarticulá-las. O Estado trabalha contra. Como agora. Organizadas em filas, todas as mulheres são revistadas e identificadas. As mães, junto com os filhos, passam também por um cadastro do Conselho Tutelar. Serão notificadas por riscos e danos morais, pelas crianças não terem ido hoje à escola e estarem expostas a uma situação de conflito. Isso é verdade. Com a operação de guerra montada pela polícia, os pequenos correm risco. Mas há alternativa para as mães que precisam se mobilizar, que não seja terem seus filhos consigo? Afinal, é quase sempre pensando neles que elas se movimentam em busca da oportunidade de recomeçarem a vida em melhores condições e dignamente em cima de um lote da reforma agrária.

Enquanto a operação é colocada em prática, dois P2 (serviço secreto da PM gaúcha) fotografam todos. Estão à paisana. São discretos. Material farto para a Inteligência da polícia. São todas tratadas como criminosas. Essas mulheres de chinelo de dedos, pouca escolaridade, sem parentes influentes e nenhuma intimidade com o crime são mesmo perigosas?

O fotógrafo local do Jornal Zero Hora, sorrindo, com um tapinha nas costas de um policial se divertia: “Mais um showzinho pra gente”, focando as mulheres submetidas a humilhação das revistas. Eram as policiais femininas que faziam esta parte. Algumas constrangidas. Outras tinham ódio no olhar e nas mãos, quando batiam nos bonés verdes das camponesas, e depois de retirarem seus lenços, os jogavam com algum prazer à margem da estrada. Como as zapatistas quando usam os passa-montanha, as sem terra ganham importância quando protegem o rosto com os lenços. Basta retirá-los para que se tornem invisíveis novamente.

Cercadas pela polícia e pela mídia, oprimidas pela polícia e pela mídia, violentadas pela polícia e pela mídia, a mando da Justiça e das empresas. “Não vai ter problema nenhum, agressão nenhuma”, garantiu o Coronel Biensfield, quando pela manhã as tropas desfizeram o acampamento. De fato, não bateram, não atiraram, não agrediram o corpo. Mas vigiá-las, constrangê-las, cercá-las, revistá-las, submetê-las, identificá-las, levá-las para a delegacia, deixar elas e as crianças passarem fome e sede, impedindo os assentados de alimentá-las, não é violência?

“Nem prisão ou morte deterão a nossa ação, de lutar junto ao povo pela revolução”, respondem com a espinha ereta. E a revolução que querem está em outro cartaz que empunham: “Mulheres unidas pela terra e em defesa da vida”.

A carona foi de um assentado da região. Voamos por um caminho alternativo até a cidade. Escoltados pelo efetivo da polícia, os ônibus com as agricultoras sem terra rumaram para o ginásio municipal. Perto dali, seis camponesas foram levadas para a delegacia. Uma delas, Joana, me contou depois que ouviu pelo rádio da viatura que estavam articulando a transferência delas para uma penitenciária. Mas aí, aconteceu. Ao invés de entrarem no ginásio, com um movimento espontâneo e espírito de resistência, as mulheres tomaram a rua. “Queremos as companheiras! Queremos as companheiras! Queremos as companheiras!”, insistiam. O batalhão de choque fechou a rua, então elas foram pra outra. Fecharam a outra, então elas foram para a próxima. Fecharam também, e então elas voltaram para a primeira. Até que para a polícia era bater ou recuar. E dessa vez estavam orientados a evitar a violência física, por conta da repercussão negativa do ano anterior.

“Queremos as companheiras! Queremos as companheiras! Queremos as companheiras! Nós vamos buscar elas!”. E quando passaram por cima dos primeiros policiais, um oficial convenceu-as de que chamaria o Coronel para conversarem. Deram a ele cinco minutos. E então veio Cláudia, advogada do Movimento, com a notícia de que elas seriam libertadas, graças à mobilização das mulheres. E foram soltas. E mesmo vigiadas pelos aparatos do Estado, estão soltas lutando pela reforma agrária e empunhando escudos-cartazes que nos dizem: “Somente quando transgredimos alguma ordem, o futuro se torna respirável”.

*Os nomes das mulheres da Via têm outros nomes. São cuidados para driblar os que querem lhes tirar o ar.

Arte de Rafael Corrêa sobre foto de Jefferson Pinheiro.

Copyleft



quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Fotos do II Encontro de Mulheres UFRGS

Pessoas,

Temos agora Flickr do Coletivo, onde tem fotos do II Encontro e vamos adicionando mais depois:

http://www.flickr.com/photos/coletivodemulheresufrgs/

o/

domingo, 20 de dezembro de 2009

Reuniões do Coletivo no mês de janeiro de 2010

Em janeiro o Coletivo de Mulheres UFRGS continuará se reunindo semanalmente, mas em novo dia da semana.
As reuniões acontecerão todas as terças-feiras de janeiro, sempre às 19h, na CEU (Casa de Estudante Universitário do centro), 9º andar.
A CEU fica na Av. João Pessoa, nº 41.

Datas das reuniões: 5/01, 12/01, 19/01 e 26/01

Apareçam!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Exercícios de Imaginação

Valéria Calvi*

Estava agora há pouco lendo um blog que falava sobre aborto. No blog, a autora dava 5 motivos pelos quais ela é a favor da legalização do aborto, muito bem argumentados, por sinal. Li alguns comentários sobre o texto dela e as respostas que ela deu com muito mais cordialidade do que eu daria. Não que eu fosse ser estúpida nem nada, mas é que costumo responder às coisas de forma bastante impessoal.

Enfim, é de se imaginar que a maioria dos comentários (confesso que não li todos, mas falo dos que eu li) contrários ao aborto giravam em torno de coisas como assassinato de vidas, quem inventa agora aguenta, valores éticos universais que prezam pela vida (a do feto, não a da mulher, óbvio), eugenia (numa clara confusão sobre o que vem a ser eugenia) e, como também não poderia deixar de aparecer, exemplos cotidianos do tipo "não é por que minha irmã me incomoda que eu vou matá-la". No meio disso tudo, dois argumentos, dados por homens, me chamaram a atenção: (i) a mulher deveria ter pensado melhor "antes de descabelar o palhaço" (não sei por que não escrever transar, mas tudo bem), sendo que o autor desta frase coloca no final do seu comentário que ele, enquanto homem, também teria de abrir mão de muita coisa (e ele diz que tem medo disso), pois "existe o teste de DNA"; (ii) aborto é crime e a mulher que o faz deve ir para a cadeia sim, mas claro, depois de receber os atendimentos médicos no hospital, primeiro o médico e depois, a cadeia.

Não pretendo desenvolver aqui uma argumentação a favor da descriminalização e legalização do aborto (quero fazer isso em outro momento), nem fazer críticas agudas àqueles que são contrários ao aborto, quero apenas fazer um exercício de imaginação com relação aos dois pontos levantados acima:

(i) O que o dono do "palhaço" estava pensando nos momentos antes de ter seu o "palhaço descabelado"? Até onde eu sei, no comentário dele estão pressupostas duas pessoas, de sexos diferentes, no ato sexual que deu origem a uma gravidez. Como nenhuma exceção foi apresentada, algo do tipo "e uma das pessoas não sabia o que estava fazendo", devo supor que eram duas pessoas com capacidade do uso da razão, portanto AMBAS responsáveis pelo ato sexual. Então, em sendo assim, por que apenas uma delas, a mulher, deveria ter pensado antes? Àquelas/es que pensaram na necessidade de a mulher usar pílula anticoncepcional, antecipo o seguinte:

- Porto Alegre é a capital com o maior número de casos de AIDS do país. Só essa informação já é necessária e suficiente para não se adotar apenas a pílula como método contraceptivo. Camisinha (masculina e feminina, sendo que esta última é absurdamente cara e não muito fácil de encontrar; fora que a masculina nem sempre se encontra nos postos de saúde) é fundamental e DEVE se responsabilidade das DUAS pessoas. Portanto, queira ou não, o pênis do palhaço (ops!) deveria estar coberto, ou então a mulher deveria estar usando camisinha feminina, isso se ela tiver dinheiro e achar onde comprar, sendo que a camisinha é reponsabilidade dos dois. Não deve ser muito legal, usando só a pílula, evitar uma gravidez, mas ganhar uma DST...

- pílula e camisinha podem falhar

- nem toda mulher quer/pode (inclusive por questões financeiras, já falei dos problemas em postos de saúde) tomar pílula. Eu não sei se as pessoas têm noção da bomba de hormônio que é a pílula e os efeitos que ela tem sobre o nosso corpo, alguns deles bastante perigosos (trombose venosa). Não pensem que é só tomar um comprimidinho e deu. Existem consequências que o nosso corpo sofre. Aqui proponho o primeiro exercício de imaginação: que os homens também passem a tomar anticoncepcionais. Sei que alguns estão sendo testados e eu realmente gostaria que fossem acessíveis e os homens usassem, pois assim dividiríamos as responsabilidades quanto à prevenção da gravidez. Por que só a nós cabe o uso de hormônios na prevençãode gravidez?

Quanto às responsabilidades que o homem teria, pois "existe teste de DNA", qual o tamanho da responsabilidade de nós mulheres comparada com a dos homens em relação a uma/um possível filh@? O que caberia ao dono do comentário? Pagar pensão? Sim, porque se desde o início foi a mulher a responsável pela falta de cérebro antes de transar, imaginem o tamanho de responsabilidades que o dono do comentário distribuiria entre ele e a mulher que engravidou dele...

(ii) Convido o dono deste comentário a ir para o hospital junto com uma mulher que chega lá com complicações por causa de aborto para ver como ela vai ser atendida. As coisas às vezes não são como a gente pensa que são e, neste caso, o atendimento dado a uma mulher que fez aborto é MUITAS VEZES pífio quando não, inexistente. A criminalização da mulher que aborta começa no hospital, não na cadeia. Sugiro um último exercício de imaginação (esse bem de imaginação, porque sei que esbarra nas normas e questões jurídicas): Se é para mandar para a cadeia a mulher que fez o aborto, que se mande também o homem responsável pelos 50% da gravidez. Como já falei anteriormente, como são DUAS as pessoas responsáveis no ato sexual e, sendo assim, na gravidez, então são DUAS as pessoas responsáveis pelo aborto. Se é para penalizar por "ter atentado contra a vida" que se penalize a totalidade do que levou a isso. Sim, é no corpo da mulher que se faz o aborto, mas dentro dela existiam 50% DNA dela e 50% DNA do homem, portanto continuam havendo DOIS RESPONSÁVEIS pela "vida" (uso aspas, porque não se tem consenso quanto ao momento em que a vida começa) que se tirou. Fora o fato de que não se mostrou nenuma preocupação com o lado emocional da mulher, nenhuma menção a assistência psicológica nem nada do tipo; é tirá-la do hospital direto pra cadeia, simples assim.

Obviamente, não gostaria que os homens também fossem para a cadeia, mas porque não gostaria, em primeiro lugar, que nós mulheres fôssemos para a cadeia por ter feito um aborto. Esses exercícios de imaginação e apontamentos são apenas pra mostrar como é mais fácil pautar a discussão sobre o aborto quando se parte do pressuposto, que é concreto e compartilhado por homens e mulheres, de que a responsabilidade sobre a gravidez recai primeiro sobre a mulher e só depois sobre o homem e isso fica claro nos comentários que as pessoas escrevem. Que tal se começássemos a compartilhar desde o primeiro método contraceptivo as responsabilidades sobre uma gravidez indesejada? Sim, a sociedade ainda atribui a nós o papel de eternas mães, queiramos ou não.

Educação Sexual para Escolher

Contracepção para Prevenir


Aborto Legal para Não Morrer


Pela Vida das Mulheres



*participante do Coletivo de Mulheres UFRGS e estudante de Filosofia na UFRGS

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A Mulher na Ótica de Dominação do Capital Produtivo

Taí um dos motivos por que feminismo é incompatível com capitalismo e passa, também, pela luta de classes.

A mulher na ótica de dominação do capital produtivo
É a partir da forma como somos encaradas pelo capital, como mercadoria, que a potencialização da nossa luta ganha dimensões ainda mais expressivas.
Roberta Traspadini
Em meio à comemoração das conquistas manifestas pelo dia internacional de luta das mulheres, 8 de março, o debate a ser aprofundado é sobre a particular funcionalidade da diferenciação entre homem e mulher no modo de acumulação capitalista.
Algumas perguntas serão sugeridas como forma dialógica sobre o tema.

Qual o sentido do trabalho para o capital?
O trabalho para o capital é a fonte geradora de parte expressiva de sua riqueza. É através do trabalho, mais bem, da apropriação privada do trabalho alheio que o capital avança, se reproduz, ao longo de seu desenvolvimento histórico.

Assim, o trabalho em todas as suas dimensões é quem gera o valor daqueles, que no capitalismo, possuem suas riquezas materiais.

Sem produção apropriada não há capitalismo. Sua fonte então é a de ao se apropriar do trabalho alheio, consumir parte crescente do tempo cotidiano do trabalhador.

E esse é um elemento central. Ao longo do desenvolvimento das forças produtivas, o trabalho vai ser moldado, em cada época histórica, para ampliar sua produtividade, sem que com isso melhore, todo o contrário, a situação de sobrevivência de grande parte dos trabalhadores mundiais.

É o capital quem cria as diferenças de gênero, raça-etnia e idade?
Não. Estas diferenciações são anteriores a esse modo de produção e também fazem parte dos processos históricos de cunho diferente do capitalista, como as sociedades latinas anteriores à colonização, bem como as sociedades orientais.

O que o capital faz é se apropriar destas diferenças como potencial de seu poder de transformar a diversidade em diferença comercial, mercantil. Isto significa dizer que o oportunismo do capital, provoca, para o trabalho, distinções que gerarão conflitos na compreensão de classe trabalhadora, tamanhas as diferenças de remuneração, ocupação dos postos de trabalho, e projeção entre trabalho intelectual e manual.

Com a apropriação destas diferenças, transformadas em negócios, o que o capital provoca é a produção de um poder ainda maior na sua construção ideológico-cultural, frente aos sujeitos que possuem somente sua força de trabalho como condição de sobrevivência.

As diferenças se transformam em classificações e potencializam negócios para aqueles que se apropriam privadamente delas. É assim como a divisão entre o trabalho feminino e o masculino; e atrelado à ela, o ser homem e o ser mulher, ganha, no capitalismo mais avançado, dimensões importantes tanto para a valorização do capital na produção (com remunerações cada vez menores do trabalho feminino e uma informalidade maior para a mulher), quanto no consumo (políticas de marketing e venda para grupos diferenciados) .

Para o consumo, a distinção é essencial para caracterizar grupos, segmentos, indivíduos com a produção de necessidade comportamental de consumir para ser. Isto é muito importante: na sociedade capitalista de produção individualizada, fragmentada, só é cidadão aquele que, mais do que posse, tenha o desejo de consumir.

É a consolidação diabólica de transformar em desejo aquilo que não é realmente necessário. Aí entram em cena, ao invés das classes e de suas lutas, grupos sociais reduzidos a grupos consumidores, com formas específicas de consumo, com base em diferenciações étnico-raciais, de gênero e idade.

Essas diferenciações têm como função concreta, dispor de uma sociedade que, ao estar escravizada numa ponta (produção), não pode estar livre na outra (consumo).

Por isso para o capital, o ser mulher, implica e não implica, diferenças. Implica diferenças que, ao precarizar ainda mais o mundo do trabalho, pressionam para agudizarmos o conflito na luta de classes, com o objetivo de superá-lo. E, não implica diferenças na produção de valor desse modo particular de acumulação, que, com isto, requer que estejamos na luta, como classe organizada, homens e mulheres.

Mas isto significa que a luta da mulher é menos importante?
Não. Todo o contrário. Ao se aproveitar de forma oportunista de diversidade, transformando- a em diferenciação, concorrência, mercadoria, o que o capital faz é transformar o mundo do trabalho em grupos fragmentados que disputarão entre si posições a partir daquilo que, aparentemente, estão dispostos a receber. Aqui entra em cena o tema do trabalho assalariado “livre” para parte da sociedade. Outra parte, mais numerosa, classificada como desqualificada para o trabalho formal, é o que no mundo do trabalho fica caracterizado, pelo capital, como trabalhadores informais. Estes, estão fora dos direitos e deveres da ordem burguesa, logo, necessitam ser vigiados e castigados.

Por isso e muito mais, a luta da mulher, como classe que vive do trabalho é imprescindível. É a partir da forma como somos encaradas, pelo capital, como mercadoria ainda mais precária que a mercadoria trabalho em geral, que a potencialização da nossa luta ganha dimensões ainda mais expressivas.

Em outras palavras, a particular forma de opressão e exploração vivida por nós mulheres, tanto no mercado de trabalho (formal e informal), quanto no processo de produção de valores politico-culturais, traz para a classe organizada, elementos substantivos de, ao compreender os mecanismos gerados pelo capital contra o trabalho, lutar organizada e coletivamente por sua superação.

Nossa histórica tarefa revolucionária é a de trabalhar por uma estratégia que supere esse modo de morte em vida, ora protagonizado por nossa classe, sob o domínio do capital. Nossa tática, como mulheres pertencentes à classe trabalhadora, se vincula à estratégia de, ao frear a extração de valor, lutar por um outro projeto de socialização da produção e das relações sociais que a dão vida.
Roberta Traspadini é economista, educadora popular, e integrante da Consulta Popular-ES

Hoje é o Dia Mundial de Combate à AIDS

Hoje é o dia mundial de combate à AIDS e Porto Alegre tem a pior política de AIDS do Brasil e é a cidade com maior incidência da síndrome no país.

Notícia de março: http://rsurgente.opsblog.org/2009/03/11/porto-alegre-tem-pior-politica-de-aids-do-pais/

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Encontro Autônomo entre Feministas

Aberto a todas as mulheres
na sede da comunidade autônoma Utopia e Luta, sobre a escadaria do viaduto da Borges.

Sábado 28 de novembro - Exposição de fotografias –

14.00 horas Abertura – sarau
14.30 Roda de conversa: Lutas de mulheres camponesas.
16.30 café (traga sua caneca)
17.00 a 19.00 Roda de conversa: Lutas de mulheres urbanas.

Domingo 29

14.00 vídeo-debate (aberto a homens também)
16.00 café (traga sua caneca)
16.30 hs Rumos, desafios, ações das mulheres em luta.
18.30 a 19.00 fechamento

contato: mulheres_rebeldes@hotmail.com

O Coletivo de Mulheres UFRGS estará presente!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

II FÓRUM EM SAÚDE DA POPULAÇÃO AFRODESCENDENTE

ps: clique na imagem para ampliar e ler as informações!!

INSCRIÇÕERS GRATUITAS

PELO e-mail: geab_hcpa@yahoo.com.br

Informações
Seção de Eventos do Hospital de Clínicas de Porto Alegre
Rua Ramiro Barcelos 2.350 Sala 49D
Cep 90035-003
Fone: (51) 3359.8090 Fax: (51) 3359.8503
Home page: www.hcpa.ufrgs.br

E-mail: eventos.hcpa@gmail.com

domingo, 15 de novembro de 2009

Seminário sobre mortalidade materna e aborto inseguro - gratuito

O Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia da UFRGS convida

Seminário

Como avançar na redução da mortalidade materna: debate
em torno da experiência de redução de danos causados
pelo aborto inseguro no Uruguai


DIA 19 de novembro de 2009 (QUINTA-FEIRA)
LOCAL: auditório da Faculdade de Farmácia da UFRGS
Av. Ipiranga, 2752 – Bairro Santana, Porto Alegre/RS

Programação

8h – Inscrições

9h – 12h PAINEL-DEBATE "O desafio da redução da mortalidade
materna: como avançar nesta meta?“
Leonel Briozzo, Médico ginecologista e obstetra, professor da
Faculdade de Medicina da Universidad de la Republica, diretor da ONG
Iniciativas Sanitarias, Uruguai.
Anibal Faundes (a confirmar), Médico, professor da Unicamp,
pesquisador do Centro de Pesquisas em Saúde Reprodutiva de
Campinas (CEMICAMP) e Coordenador do Grupo de Trabalho sobre
Prevenção do Aborto Inseguro da Fed. Int. de Ginecologia e Obstetrícia
(FIGO)
Eugênio Terra, Jurista, coordenador da Vara de Saúde Pública do Rio
Grande do Sul
Télia Negrão, Jornalista, Coordenadora da Rede Feminista do Brasil
Soraia Schmidt, Coordenadora do Comitê Municipal de Mortalidade
Materna de Porto Alegre
Coordenadora: Daniela Knauth, Antropóloga, professora da
Faculdade de Medicina da UFRGS

19h-21h CONFERÊNCIA “Experiência de redução de danos
causados pelo aborto inseguro no Uruguai“
Palestrante: Leonel Briozzo
Debatedora: Rúbia Abs da Cruz, Advogada e Coordenadora Geral
daThemis
Coordenadora: Marcia Mocellin Raymundo, Rede Liberdades Laicas
Brasil

Inscrições gratuitas no local

APOIO Rede Liberdades Laicas Brasil - Movimento pela Saúde dos Povos - Themis - PROAME – Maria Mulher

sábado, 7 de novembro de 2009

O Urro Ancestral da Faculdade Injuriada

domingo, 1 de novembro de 2009, 01:59 - O Estado de São Paulo

*O Urro Ancestral da Faculdade Injuriada*

Universitários que encurralaram a colega de vestido curto não eram
delirantes: eram agressores

Debora Diniz** - O Estado de S.Paulo

O caso não caberia nem em um folhetim vulgar, não fosse o YouTube
denunciando a verdade. A "puta da faculdade" é uma história bizarra: uma
mulher de 20 anos é vítima de humilhações. A razão foi um vestido rosa e
curto que a fazia se sentir bonita. Sem ninguém saber muito bem como o
delírio coletivo teve início, dezenas de pessoas passaram em coro a gritar
"puta" e ameaçá-la de estupro. A saída foi esconder-se em uma sala, sob os
urros de uma multidão enfurecida pela falta de decoro do vestido rosa. Além
da escolta policial, um jaleco branco a protegeu da fúria agressiva dos
colegas que não suportavam vê-la em traje tão provocante.

Colegas de faculdade, professores e policiais foram ouvidos sobre o caso. O
fascínio compartilhado era o vestido rosa. Curto, insinuante, transparente
foram alguns dos adjetivos utilizados pelos mais novos censores do vestuário
da sociedade brasileira. "A roupa não era adequada para um ambiente
escolar", foi a principal expressão da indignação moral causada pelo vestido
rosa. Rapidamente um código de etiqueta sobre roupas e relações sociais
dominou a análise sociológica sobre o incidente. Não se descreveu a histeria
como um ato de violência, mas como uma reação causada pela surpresa do
vestido naquele ambiente.

O que torna a história única é o absurdo dos fatos. Um vestido rosa curto
desencadeia o delírio coletivo. E o delírio ocorreu nada menos do que em uma
faculdade, o templo da razão e da sabedoria. Os delirantes não eram loucos
internados em um manicômio à espera da medicação ou marujos recém-atracados
em um cais após meses em alto-mar. Eram colegas de faculdade inconformados
com um corpo insinuante coberto por um vestido rosa. Mas chamá-los de
delirantes é encobrir a verdade. Não há loucura nesse caso, mas práticas
violentas e intencionais. Esses jovens homens e mulheres são agressores.
Eles não agrediram o vestido rosa, mas a mulher que o usava para ir à
faculdade.

Não há justificativa moral possível para esse incidente. Ele é um caso claro
de violência contra a mulher. Ao contrário do que os censores do vestuário
possam alegar, não há nada de errado em usar um vestido rosa curto para ir
às aulas de uma faculdade noturna. As mulheres são livres para escolher suas
roupas, exibirem sua sensualidade e beleza. A adequação entre roupas e
espaços é uma regra subjetiva de julgamento estético que denuncia classes e
pertencimentos sociais. Não é um preceito ético sobre comportamentos ou
práticas. Mas inverter a lógica da violência é a estratégia mais comum aos
enredos da violência de gênero.

A multidão enfurecida não se descreve como algoz. Foi a jovem mulher
insinuante quem teria provocado a reação da multidão. Nesse raciocínio
enviesado, a multidão teria sido vítima da impertinência do vestido rosa. As
imagens são grotescas: de um lado, uma mulher acuada foge da multidão que a
persegue, e de outro, do lado de quem filma, dezenas de celulares registram
a cena com a excitação de quem assiste a um espetáculo. Ninguém reage ao
absurdo da perseguição ao vestido rosa. O fascínio pelo espetáculo aliena a
todos que se escondem por trás das câmaras. Quem sabe a lente do celular os
fez crer que não eram sujeitos ativos da violência, mas meros espectadores.

Pode causar ainda mais espanto o fato de que a multidão não tinha sexo.
Homens e mulheres perseguiam o vestido rosa com fúria semelhante. Há mesmo
quem conte que a confusão foi provocada por uma estudante. Mas isso não
significa que a violência seja moralmente neutra quanto à desigualdade de
gênero. É uma lógica machista a que alimenta sentimentos de indignação e
ultraje por um vestido curto em uma mulher. A sociologia do vestuário é um
recurso retórico para encobrir a real causa da violência - a opressão do
corpo feminino. Não é o vestido rosa que incomoda a multidão, mas o vestido
rosa em um corpo de mulher que não se submete ao puritanismo.

Não há nada que justifique o uso da violência para disciplinar as mulheres.
Nem mesmo a situação hipotética de uma mulher sem roupas justificaria o
caso. Mas parece que uma mulher em um vestido insinuante provoca mais fúria
e indignação que a nudez. O vestido rosa seria o sinal da imoralidade
feminina, ao passo que a nudez denunciaria a loucura. A verdade é que não há
nem imoralidade, nem loucura. Há simplesmente uma sociedade desigual e que
acredita disciplinar os corpos femininos pela violência. Nem que seja pela
humilhação e pela vergonha de um vestido rosa.

**Antropóloga, professora da UnB e pesquisadora da Anis - Instituto de
Bioética, Direitos Humanos e Gênero *

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Projeto Cromossomos e Maria Berenice Dias

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Locais de venda antecipada

Compas, ingressos antecipadas para a Festa de 1 ano do Coletivo, com @s integrantes do Coletivo e nos pontos de venda autorizados.

Vale: Xerox da Clê.
Saúde: DCE Saúde.
ESEF: DAEFI ou com Piranha.
Centro: DCE UFRGS.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Festa de 1 ano do Coletivo de Mulheres UFRGS

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

IV Congreso de Estudantes UFRGS

No IV Congresso de Estudantes da UFRGS acontecerá alguns Grupos de Discussão para melhor debater as questões da Universidade. Terá um GD de Gênero que o Coletivo estará mediando, então convidamos tod@s a participar!!!

Programação do Congresso

Sexta-feira (02/10)
18h30 – Cerimônia de Abertura do CONGRESSO
- Representantes do DCE, ADUFRGS, ASSUFRGS, ANDES e Reitoria.

19h – Mesa 1 – Universidade Brasileira: conjuntura e perspectivas
Debatedores:
- Neida Oliveira (CPERS)
- Bernadete Menezes (ASUFRGS)
- Rodrigo Dantas (ANDES-SN)

Sábado (03/10)
9h – Mesa 2 – Universidade Popular e a Educação Superior no Século XXI
Debatedores:
- Bernardo Corrêa (estudante de Ciências Sociais)
- Luiz Henrique Shuch (Vice-Presidente da ADUFPEL)
- Miguel Stédile (MST)

12h – Almoço

14h – Grupos de Trabalho:
a) Currículos do Ensino Superior; b) Financiamento; c) Pesquisa e Extensão; d) Acesso à Universidade; e) Movimento Estudantil; f) Políticas de Permanência; g) Educação Básica; h) Gênero; i) Orientação Sexual; j) Raça/Etnia.

17h – Assembléia Geral para adequação do Estatuto do DCE ao novo código civil

18h30 – Plenária Final

Local: Salão Nobre da Faculdade de Direito (Campus Centro)

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Tese do Coletivo de Mulheres UFRGS ao IV Congresso de Estudantes da UFRGS

Saudamos o quarto Congresso de Estudantes da UFRGS e aproveitamos essa oportunidade para apresentar o Coletivo de Mulheres UFRGS, quem somos nós e que projeto de universidade e de sociedade desejamos construir.

Somos mulheres e homens vind@s de diferentes lugares, com diferentes opiniões e formação; somos nov@s e sabemos que este Coletivo é parte de vidas que terão muito mais acúmulo do que têm hoje.

Somos feministas, ainda que este feminismo esteja sempre em construção e para que consigamos agir e dizer um pouco daquilo que somos e daquilo que não somos.

Somos um Coletivo que nasceu nessa Universidade, mas que é aberto à participação de tod@s aquelas/es que dele queiram fazer parte. Somos um Coletivo plural no qual tod@s têm direito a voz, mas apenas as mulheres têm direito a voto.

Somos um espaço livre para opiniões diferentes, discussões abertas e trocas de experiências pessoais.

Somos contra assumirmos uma postura de conscientizadoras/es, que vão libertar a nós mulheres das inúmeras opressões que sofremos.

Somos contra esse modelo de sociedade e de mundo, que constrói a nós mulheres de forma machista e fazem com que sejamos e aprendamos a ser objetos, nunca sujeitos. Nos opomos a todas formas de alienação do nossos próprios corpos.

Somos contra a super-exploração a que somos submetidas, seja através dos baixos salários, seja através da exposição na mídia.

Somos contra o não-questionamento de todos espaços dos quais fazemos parte, inclusive nosso próprio Coletivo.

Somos a favor do feminismo diário, que passa por nós mesm@s, pelo diálogo, pelo aprendizado, pela luta e por onde mais passe as nossas vidas, a vida das mulheres.

Somos, enfim, o Coletivo de Mulheres UFRGS.

O COLETIVO DE MULHERES UFRGS E O MOVIMENTO ESTUDANTIL

Como grupo feminista e autônomo, mantemos independência do DCE/UFRGS, atuamos e atuaremos no movimento estudantil, assim como fora dele, independente de qual seja a gestão a frente deste.

Entendemos que a atual gestão do DCE foi, e ainda o é, grande apoiadora das pautas levantadas pelo Coletivo de Mulheres UFRGS, tendo inclusive, apoiado a realização do II Encontro de Mulheres da UFRGS, momento em que se aprofundaram sensivelmente os debates e definições sobre o feminismo que reivindicamos.

Isto não impede que mantenhamos uma postura crítica em relação ao DCE, como temos de fato mantido, sempre buscando construir novas práticas no movimento estudantil.

Mesmo que a atuação do Coletivo de Mulheres UFRGS seja cotidiana, entendemos que é no espaço privilegiado e mais amplo garantido nos Encontros anuais de Mulheres da UFRGS que conseguimos avançar nas discussões pela participação de um grande número de pessoas e organizações.

Sendo assim, reivindicamos que seja compromisso das próximas gestões do
DCE/UFRGS o apoio e colaboração para a realização do III Encontro de Mulheres UFRGS, bem como das instancias da universidade, como atividade proposta e organizada pelo Coletivo de Mulheres UFRGS, sem perder de vista a manutenção de sua autonomia e independência.

Reivindicamos também que a Universidade garanta uma sala para as reuniões semanais do Coletivo de Mulheres UFRGS.

Acreditamos que uma das principais pautas do movimento estudantil para o próximo ano é a luta das mulheres, que passa pela construção do III Encontro de Mulheres, bem como pela efetivação dos encaminhamentos dos encontros anteriores, apresentados em nossa tese. Mas além das pautas específicas, urge que tenhamos presente em todas as outras lutas do Movimento Estudantil as reivindicações feministas construídas tanto nos dois Encontros de Mulheres da UFRGS já realizados, como no acúmulo de debate agregado à atuação cotidiana e atividades do Coletivo de Mulheres UFRGS, com vistas a construir uma prática política livre de opressões.

Reivindicamos que para as próximas eleições do DCE UFRGS, desse ano em diante, as chapas tenham que ter o mínimo 30% de mulheres nos cargos de direção da mesma, sendo esta condição determinante para inscrição de chapa para a eleição. Propomos esse percentual não para futuramente limitar a participação das mulheres na direção do DCE, mas sim para incentivar e impulsionar a maior participação delas, não entendendo essa cota como favor e sim como uma ação afirmativa para as mulheres, desde que acompanhada por uma efetiva construção de práticas de combate ao machismo e opressões, na maneira de conceber a atuação do movimento estudantil.

Direitos sexuais, os direitos reprodutivos e a questão do aborto:

A assistência à saúde é direito tod@s e deve ser garantido pelo Estado. Contudo, compreendemos que os direitos sexuais e os direitos reprodutivos das mulheres não consideram a autonomia da mulher sobre seu corpo.

Atualmente, a prática do aborto seguro é garantida, apesar de ilegal, àquelas mulheres que têm condições de pagar pelo procedimento. Configura-se, assim, uma discriminação de classe econômica e que, no Brasil, amplia-se pelo recorte étnico-racial, visto que a maioria das mulheres pobres são também negras ou mestiças.

Reivindicamos apoio à descriminalização e legalização do aborto e pela disponibilização da prática no Sistema Único de Saúde, com o devido acompanhamento psicológico e orientação sexual.

Saúde da mulher e políticas públicas

Reivindicamos à Universidade que os estudantes da área da saúde tenham uma formação que englobe a saúde da mulher levando em conta seus aspectos mais variados, como crenças, cultura, orientação sexual e etnia.

Reivindicamos creche e/ou a garantia desta para os(as) filhos(as) de todas as mulheres e de todos os homens membros da comunidade acadêmica da UFRGS (estudantes, técnico-administrativos, funcionários terceirizados e professores).

Reivindicamos, ainda, que os cursos da área da saúde garantam no seu currículo a formação de profissionais preparados para lidar, sem discriminação, com questões de saúde pública como: violência contra a mulher, abortamento e intervenções cirúrgicas de mudança de sexo.

Sugere-se a criação de um Programa Universitário de Assistência à Estudante Gestante.

Sugere-se à Universidade a distribuição gratuita de preservativos através dos postos ambulatoriais e através de máquinas de distribuição automática.

Que o movimento estudantil da UFRGS defenda que na graduação (em diferentes áreas) tenhamos trabalhos, seminários, discussões sobre as políticas públicas de saúde para as mulheres.

Mídia, Mercantilização do Corpo da Mulher, Estereótipos e padrões de beleza

Os meios de comunicação no Brasil são monopolizados por sete famílias que impõe um padrão jornalístico, distorcendo e omitindo informações, de acordo com seus interesses econômicos. São estes grupos que produzem e divulgam propagandas machistas, criam padrões de beleza e subjetividades e reduzem as mulheres a objetos de consumo.

Que o ME reivindique cartazes de festas com pessoas reais na UFRGS e não com pessoas totalmente artificiais e com padrões de beleza inatingíveis, bem como não apóie qualquer evento que se utilize de cartazes que associam as imagens de homens e mulheres à mercantilização, e os reduza somente a objeto.

Opressão: gênero, identidade sexual e cor

Defesa da permanência das estudantes grávidas/mães nas casas de estudantes da UFRGS e defesa de uma assistência estudantil diferenciada e adequada a estas, visando os recursos necessários à permanência e à diplomação.

Que o ME trabalhe por ações de extensão interdisciplinar e que promova o debate das mulheres nas escolas e na comunidade em geral de Porto Alegre. Ainda, que promova o debate na comunidade acadêmica, pautando temas específicos de opressão, como homofobia e machismo.

A promoção de debates na Universidade, acerca da questão de gênero, que englobem o tema do reconhecimento da família a partir da concepção de relações livres.

Reivindicamos que as mães universitárias que tenham seus filhos em período letivo sejam asseguradas dos seus direitos de licença à maternidade, e que eventuais faltas e reprovações não influenciem no seu ordenamento e nem para ocasionar seu jubilamento.

Que o ME proponha discussões para ações afirmativas voltadas para a mulher dentro da Universidade (como cotas nos Conselhos, Câmaras, bolsas e estágios).

Que o ME defenda nas instâncias cabíveis, disciplinas interdisciplinares de gênero, voltada para todos os cursos da graduação, mapeando as cadeiras já existentes para que elas sejam oferecidas como curso dois.

Reivindicamos, também em âmbito administrativo da UFRGS, a criação de uma Secretaria de Mulheres ou algum outro departamento a ser criado (adotando a forma paritária de votação), que tenha o caráter pedagógico educacional e seja responsável por realizar campanhas – produzindo materiais informativos e formativos sobre a discriminação da mulher – e promover ações concretas contra a discriminação da mulher em nossa Universidade.

Diversidade sexual

A discriminação e a repressão à livre expressão sexual é realidade na sociedade atual e a Universidade, como componente da sociedade, também a reproduz. Nos últimos anos foram registrados casos de homofobia nos espaços da UFRGS com relação a troca de carinhos entre casais de mulheres e casais de homens. Alguns funcionários da UFRGS, infelizmente, foram protagonistas nessas ações de repressão. Por compreendermos que o papel da Universidade é, sobretudo, educar, defendemos que: cabe à Universidade promover a formação continuada sobre seu corpo técnico, sejam funcionários e professores, para que compreendam o direito à diversidade e reproduzam práticas de gênero mais igualitárias.

Visto que a Universidade tem autonomia para criar regulações internas próprias, constituindo estatuto autônomo (como é exemplo o Código Disciplinar Discente), propomos que seja apresentada ao Conselho Universitário (CONSUN) uma resolução de combate às práticas homofóbicas, racistas e de assédio moral e sexual através de sanções de diferentes níveis de gravidade*, sendo que as acusações abrem processos administrativos que definirão os níveis (em comissão composta por profissionais de diferentes áreas do conhecimento): nível baixo por ofensa verbal, punido com advertência; nível médio por constrangimento público, punido com sanção; nível grave para qualquer caso de violência física e/ou ameaça, podendo chegar à expulsão. Ainda, propõe-se a emissão de uma portaria que comprometa a Universidade em realizar acompanhamento psicológico para as mulheres agredidas e vítimas de preconceito na Universidade, bem como para os agressores(as).

* Já está tramitando esse processo dentro da estrutura da Universidade.

Violência contra a mulher e políticas públicas

Propõe-se reivindicar junto a SAE, enquanto não há espaço adequado, a criação de um setor de ouvidoria para o acolhimento de denúncias por parte dos estudantes, sobretudo para os moradores e para as moradoras da Casa do Estudante, acompanhando e tomando as devidas providências para ações de violência física, psicológica e moral. Não só no âmbito estudantil, mas também sugerimos aos demais segmentos da comunidade acadêmica.

Reivindicamos a melhoria da iluminação externa e interna de todos os Campi, em especial o Campus do Vale.

Reivindicamos segurança próximo aos banheiros e revisão do projeto arquitetônico que prevê banheiros nas partes externas dos prédios.

Reivindicamos que a segurança interna da Universidade, em todos os seus âmbitos, seja feita por funcionários concursados, e não mais por seguranças de empresas privadas, treinados para defender somente o patrimônio material e não os estudantes, funcionários e professores.

Que o ME articule para que existam formas de defesa jurídica a comunidade acadêmica que sofrem preconceitos e discriminação de qualquer tipo com relação a gênero e sua expressão sexual.

Contato: coletivomulheresufrgs@yahoo.com.br

Blog: http://coletivomulheresufrgs.blogspot.com/

NOSSAS REUNIÕES OCORREM TODOS OS SÁBADOS, ÀS 15h NA CEU.

APAREÇA!

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Resoluções do I e II Encontro de Mulheres UFRGS

Resoluções do I Encontro de Mulheres UFRGS

12 e 13 de setembro de 2008

A Plenária Final do I Encontro de Mulheres UFRGS, realizada no dia 13 de setembro de 2008, delibera e aprova as seguintes resoluções concluídas a partir das atividades do evento:

  1. Sobre a situação da mulher na sociedade atual:

O I Encontro de Mulheres UFRGS resolve que, dadas as situações diferenciadas política e econômica impostas às mulheres na atualidade, as quais são agravadas pelas relações de classe e etnia, caracterizadas por menores salários - chegando a uma diferença de até 50% para mulheres negras quando comparadas com homens brancos, com as mulheres apresentando maior vulnerabilidade à violência doméstica e discriminadas no acesso ao emprego e aos direitos políticos, é papel da Universidade realizar a formação humana necessária à diminuição e equiparação de tais situações, principalmente nas áreas que tangem: o reconhecimento de direitos e a formação para a defesa destes, a diferenciação necessária à promoção da permanência das mulheres na Universidade, incluindo o direito à creche, à Casa do Estudante para mulheres grávidas e a construção da Casa do Estudante adequada para mães com filhos.

Tratando-se do Rio Grande do Sul, pesquisas apontam que o estado apresenta um dos maiores índices de disparidade salarial para o cumprimento da mesma função ocupacional. Dessa forma, o I Encontro de Mulheres UFRGS defende a luta permanente em defesa da igualdade salarial e a construção de campanhas sobre a esta questão.

  1. Sobre os direitos sexuais, os direitos reprodutivos e a questão do aborto:

A assistência à saúde é direito de qualquer cidadão e cidadã e deve ser garantido pelo Estado. Contudo, compreendemos que os direitos sexuais e os direitos reprodutivos das mulheres não consideram a autonomia da mulher sobre seu corpo.

Atualmente, a prática do aborto seguro é garantida, apesar de ilegal, àquelas mulheres que têm condições de pagar pelo procedimento. Configura-se, assim, uma discriminação de classe econômica e que, no Brasil, amplia-se pelo recorte étnico-racial, visto que a maioria das mulheres pobres são também negras ou mestiças.

Cabe a este debate delimitar o papel da Universidade na construção da opinião pública. Inicia-se por caracterizar a Universidade como laica; logo, responsável pela divulgação do conhecimento científico, não neutro, mas compromissado com o conhecimento público e para o público, garantindo a troca de conhecimento produzido nela com aquele acumulado historicamente pela população por meio tanto de formação continuada de profissionais já formados como de preparação e inclusão deste debate nos currículos de ensino, especialmente nas áreas de sociologia, antropologia, saúde e direito, garantindo um ensino transdisciplinar.

  1. Sobre a livre orientação sexual:

A discriminação e a repressão à livre expressão sexual é realidade na sociedade atual e a Universidade, como componente da sociedade, também a reproduz. Nos anos de 2007 e 2008 foram registrados casos de homofobia nos espaços da UFRGS, como a troca de carinhos entre casais de mulheres e casais de homens. Alguns funcionários da UFRGS, infelizmente, foram protagonistas nessas ações de repressão. Por compreendermos que o papel da Universidade é, sobretudo, educar, o I Encontro de Mulheres UFRGS resolve que: cabe à Universidade promover a formação continuada sobre seu corpo técnico, sejam funcionários e professores, para que compreendam o direito à diversidade e reproduzam práticas de gênero mais igualitárias; cabe, também, à Universidade promover e enfatizar ações de extensão aos seus alunos, incluindo como debate curricular e interdisciplinar o esclarecimento dos direitos sexuais dos cidadãos, a homofobia como atitude criminosa e que é dever de todos e todas o respeito à decisão de cada um e cada uma sobre sua orientação sexual.

Visto que a Universidade tem autonomia para criar regulações internas próprias, constituindo estatuto autônomo (como é exemplo o Código Disciplinar Discente), o I Encontro de Mulheres UFRGS propõe que seja apresentada ao Conselho Universitário (CONSUN) – órgão máximo deliberativo desta Universidade – uma resolução de combate às práticas homofóbicas, racistas e de assédio moral e sexual através de sanções de diferentes níveis de gravidade, sendo que as acusações abrem processos administrativos que definirão os níveis (em comissão composta por profissionais de diferentes áreas do conhecimento): nível baixo por ofensa verbal, punido com advertência; nível médio por constrangimento público, punido com sanção; nível grave para qualquer caso de violência física e/ou ameaça, podendo chegar à expulsão. Ainda, propõe-se a emissão de uma portaria que comprometa a Universidade em realizar acompanhamento psicológico para as mulheres agredidas e vítimas de preconceito na Universidade, bem como para os agressores(as).

Reivindica-se, também em âmbito administrativo da UFRGS, a criação de uma Secretaria de Mulheres ou algum outro departamento a ser criado (adotando a forma paritária de votação), que tenha o caráter pedagógico educacional e seja responsável por realizar campanhas – produzindo materiais informativos e formativos sobre a discriminação da mulher – e promover ações concretas contra a discriminação da mulher em nossa Universidade.

  1. Sobre o calendário de lutas:

O I Encontro de Mulheres UFRGS resolve agregar-se ao calendário nacional de lutas como forma de participação coletiva nas lutas das mulheres no Brasil e na América Latina. Para isso, toma como datas de mobilização os dias 8 de março: Dia internacional da luta das mulheres, 28 de setembro: Dia latino-americano e caribenho de luta pela descriminalização e legalização do aborto e 25 de novembro: Dia nacional de luta contra a violência à mulher.

  1. Sobre a organização das mulheres da UFRGS:

O I Encontro de Mulheres UFRGS resolve que, ao fim de sua plenária deliberativa, institui-se como fórum organizador do movimento estudantil de mulheres da UFRGS um Coletivo de Mulheres permanente e autônomo, com reuniões abertas, que devam ser amplamente divulgadas - com pelo menos 72 horas de antecedência - e que tenham como objetivo construir as atividades do calendário de lutas, inclusive com a presença de homens – quando o espaço tiver caráter de formação.

6. Sobre “Mídia e Mercantilização do Corpo da Mulher”, proposto pelo grupo de discussão do tema:

Os meios de comunicação no Brasil são monopolizados por sete famílias que impõe um padrão jornalístico, distorcendo e omitindo informações. São estes grupos que produzem e divulgam propagandas machistas, criam padrões de beleza e subjetividades e reduzem as mulheres a objetos de consumo. Nesse sentido, lançamos moção de repúdio à concentração de poder midiático, em especial à Rede Globo, que forma um pensamento hegemônico, neutralizando opressões e preconceitos e propagando o consumismo.

O I Encontro de Mulheres UFRGS manifesta sua indignação, em forma de moção de repúdio, frente a omissão da mídia gaúcha e brasileira na cobertura dos acontecimentos do dia oito de março de 2008 e demais ações que violentaram e violentam psicológica e fisicamente as mulheres dos movimentos sociais. Dentre os fatos, citamos os casos das mulheres de movimentos sociais do campo: o ocorrido na fazenda São Paulo II (São Gabriel) e a desocupação das terras da STORA ENZO, ilegalmente instaladas na faixa da fronteira.

Delibera-se que o II Encontro de Mulheres UFRGS e/ou um futuro Congresso de Mulheres da UFRGS paute em suas atividades assuntos que tangem os padrões e os estereótipos de beleza feminina.

Sugere-se ao DCE da UFRGS e os Diretórios e Centros Acadêmicos que não apóiem festas que tragam a imagem de corpos de homens e mulheres construída com objetivo de mercantilização.

Moção de repúdio aos cartazes de festas que associam as imagens de homens e mulheres à mercantilização.

Moção de repúdio à erotização das profissões majoritariamente femininas, em especial a categoria das enfermeiras, que subjuga o real valor da profissão e acaba sendo utilizada para satisfazer as fantasias sexuais.

Moção de repúdio à discriminação das mulheres que não se enquadram no padrão estético imposto pela sociedade e pela mídia.

Moção de repúdio à discriminação das mulheres gordas pela mídia.

7. Sobre “Opressão: identidade sexual, classe e cor”, proposto pelo grupo de discussão do tema:

O I Encontro de Mulheres UFRGS defende a permanência das estudantes grávidas/mães nas casas de estudantes da UFRGS e defende a assistência estudantil diferenciada e adequada a estas, visando os recursos necessários à permanência e à diplomação.

Sugere-se ao GT de Mulheres do DCE da UFRGS que trabalhe por ações de extensão interdisciplinar e que promova o debate das mulheres nas escolas e na comunidade em geral de Porto Alegre. Ainda, que promova o debate na comunidade acadêmica, pautando temas específicos de opressão, como homofobia e machismo.

Delibera-se a promoção de debates na Universidade, acerca da questão de gênero, que englobem o tema do reconhecimento da família a partir da concepção de relações livres.

Reivindica-se que as mães universitárias que tenham seus filhos em período letivo sejam asseguradas dos seus direitos de licença à maternidade, e que eventuais faltas e reprovações não influenciem no seu ordenamento e nem para ocasionar seu jubilamento.

Moção de apoio reivindicatória pela implementação efetiva da Lei Maria da Penha, assegurando o repasse de verbas para a constituição real de delegacias e casas de apoio à mulher.

Moção de apoio reivindicatória pela alteração da Lei de Licença à Maternidade para que a licença seja de, no mínimo, seis meses, tanto no setor público quanto no privado, em caráter obrigatório e sem isenção de impostos.

Moção de repúdio a qualquer modalidade de preconceito, em especial racismo, machismo, homofobia, lesbofobia e transfobia.

8. Sobre “Violência contra a mulher e políticas públicas”, proposto pelo grupo de discussão do tema:

O I Encontro de Mulheres UFRGS sugere que a Secretaria de Assuntos Estudantis (SAE), enquanto não há espaço adequado, crie um setor de ouvidoria para o acolhimento de denúncias por parte dos estudantes, sobretudo para os moradores e para as moradoras da Casa do Estudante, acompanhando e tomando as devidas providências para ações de violência física, psicológica e moral. Não só no âmbito estudantil, mas também sugerimos aos demais segmentos da comunidade acadêmica.

Sugere-se formação continuada sobre violência contra a mulher para os três segmentos da comunidade acadêmica.

Sugere-se a previsão em edital, nas empresas terceirizadas, como carga horária de trabalho, a formação continuada sobre as questões de gênero e a violência contra a mulher.

Sugere-se ao GT de Mulheres do DCE da UFRGS a parceria com entidades e organizações que debatem as questões relativas a gênero.

Reivindica-se a melhoria da iluminação externa e interna de todos os Campi, em especial o Campus do Vale.

Reivindica-se segurança próximo aos banheiros e revisão do projeto arquitetônico que prevê banheiros nas partes externas dos prédios.

Reivindica-se que a segurança interna da Universidade, em todos os seus âmbitos, seja feita por funcionários concursados, e não mais por seguranças de empresas privadas, treinados para defender somente o patrimônio material e não os estudantes, funcionários e professores.

Moção de repúdio às políticas internas e externas da sociedade que promovem a culpabilização da mulher que sofre violência.

  1. Sobre “Mulher, Educação e Mercado de Trabalho”, proposto pelo grupo de discussão do tema:

O I Encontro de Mulheres UFRGS reivindica a disponibilização de creche e/ou a garantia desta para os(as) filhos(as) de todas as mulheres e de todos os homens membros da comunidade acadêmica da UFRGS (estudantes, técnicos-administrativos, funcionários terceirizados e professores).

  1. Sobre “Saúde da mulher e políticas públicas”, proposto pelo grupo de discussão do tema:

O I Encontro de Mulheres UFRGS aprova moção de apoio pela descriminalização e legalização do aborto e pela disponibilização da prática no Sistema Único de Saúde, com o devido acompanhamento psicológico e orientação sexual.

Delibera-se a formação de uma comissão para encaminhar um ato de apoio à campanha do dia 28 de setembro - Dia latino-americano e caribenho de luta pela descriminalização e legalização do aborto – e que a comissão procure outras entidades para integrar as ações feitas no dia. Ainda, que a comissão elabore um material, a ser distribuído na UFRGS, divulgando os temas debatidos no evento.

Encaminha-se a formação de uma comissão que elabore levantamento de dados e políticas públicas de saúde já existentes relativas às mulheres, para enriquecer debates futuros.

Reivindica-se à Universidade que os estudantes da área da saúde tenham uma formação que englobe a saúde da mulher levando em conta seus aspectos mais variados, como crenças, cultura, orientação sexual e etnia. Reivindica-se, ainda, que os cursos da área da saúde garantam no seu currículo a formação de profissionais preparados para lidar, sem discriminação, com questões de saúde pública como: violência contra a mulher, abortamento e intervenções cirúrgicas de mudança de sexo.

Sugere-se a criação de um Programa Universitário de Assistência à Estudante Gestante.

Sugere-se à Universidade a distribuição gratuita de preservativos através dos postos ambulatoriais e através de máquinas de distribuição automática.

Moção de apoio reivindicatória ao fornecimento de verbas para o Hospital Presidente Vargas e à ampliação dos hospitais que praticam abortamento em casos previstos, para a garantia de atendimento imediato. Ainda, agilidade nos prazos de exames avaliativos relacionados ao aborto.


Resoluções do II Encontro de Mulheres UFRGS

05 e 06 de junho de 2009

A Plenária Final do II Encontro de Mulheres UFRGS, realizado no Auditório da Faculdade de Economia da UFRGS delibera e aprova as resoluções que se seguem:

Encaminhamento primeiro: ratificar as resoluções do I Encontro de Mulheres UFRGS, realizado nos dias 12 e 13 de setembro de 2008.

Deliberações por Grupos de Discussão:

GD 1 – Prostituição

Construir um seminário com a temática específica da prostituição. Com espaços para abordagens sociológicas, antropológicas, jurídicas, psicológicas e, especialmente, espaços para exposições das próprias prostitutas sobre suas experiências, interpretações e reivindicações.

Moção de repúdio a exploração da prostituição (cafetinagem).

GD2 – Aborto e Políticas Públicas

Que tod@s @s participantes do encontro defendam que na graduação (em diferentes áreas) tenhamos trabalhos, seminários, discussões sobre as políticas públicas de saúde para as mulheres.

Que o Coletivo de Mulheres UFRGS defenda nos espaços em que atua na universidade que os cursos de graduação não trabalhem a mulher apenas como um corpo grávido.

Que no próximo encontro sejam abordados os direitos das empregadas domésticas.

Que no próximo Encontro tenha um GD sobre Direitos Reprodutivos e Direitos Sexuais em substituição ao GD sobre Aborto e Políticas Públicas.

Elaborar uma moção reivindicando a legalização do aborto de anencéfalos e natimortos.

Acompanhamento da política e investimento da SAE para Assistência Estudantil, mais especificamente da saúde da mulher.

Que todos os GDs e GTs levem em consideração as pautas da mulher negra, indígena e de classes populares.

Reivindicar, nas disciplinas de saúde da mulher dos cursos da saúde, a abordagem específica da saúde da mulher negra e indígena.

Traçar estratégias de ações em conjunto com grupos que exercem atividades para públicos com carência de políticas públicas para a mulher, e pensar nessa ação como um projeto de extensão.

Que @s participantes do II Encontro de Mulheres atuem como multiplicador@s das temáticas discutidas e deliberadas afim de que se gerem demandas curriculares que possam por fim resultar em reformas.

Fazer uma consulta popular na Universidade para o levantamento do índice da ocorrência de aborto na comunidade acadêmica.

GD3 – Discriminação no Mercado de Trabalho e na Universidade

Propor discussões para ações afirmativas voltadas para a mulher dentro da Universidade (como cotas nos Conselhos, Câmaras, bolsas e estágios).

Propor disciplinas interdisciplinares de gênero, voltada para todos os cursos da graduação, mapeando as cadeiras já existentes para que elas sejam oferecidas como curso 2.

Elaborar mostras anuais que estimulem a temática de gênero, mudando a cada ano a abordagem (trabalho, sexualidade...), com as iniciações acadêmicas no tripé da universidade: Ensino, Pesquisa e Extensão, tanto para graduação quanto para pós-graduação, além de participar dos salões organizados pela UFRGS com espaços específicos que pautem a temática de gênero.

Estimular a interação entre os núcleos que fazem pesquisas sobre gênero na UFRGS, fazendo um convite oficial para compor o Coletivo de Mulheres UFRGS e construir ações efetivas dentro da Universidade.

GD4 - Opressão: Identidade de Gênero e Livre Expressão Sexual

Considerando a importância de ter um acúmulo teórico a respeito de tal problemática para poder abordá-la efetivamente, sugere-se que sejam criados espaços de formação.

A questão da necessidade de mudanças na formação foi apontada pela maioria dos presentes no GD. Especificamente, foi apontado que ao menos nos cursos de Pedagogia, Medicina e Licenciaturas em geral tivesse que abordar questões relativas à sexualidade em seu currículo de forma mais ampla, como já foi ressaltado no I Encontro de Mulheres UFRGS, pois a realidade que o grupo vê é de professores muito despreparados para trabalhar a questão. Idéia de o Coletivo fomentar junto aos estudantes de pedagogia essa questão. Além disso, se propôs a construção (ou fomentar a construção a partir da instituição) de fórum de professores que aborde especificamente a problemática de gênero e sexualidade. Uma forma de viabilizar é articular tal ação via professores de disciplinas que trabalham gênero na universidade. O Coletivo poderia articular e/ou fomentar essas ações, seja promovendo debates, seminários e/ou oficinas, seja apoiando eventos nesse sentido.

Aproximar-se dos núcleos de pesquisa de gênero e sexualidade da universidade para articular ações e conseguir maior legitimidade na UFRGS, e, a partir de então solicitar ações da universidade com mais ênfase (fazer com que a universidade se comprometa com tais questões).

Promover sensibilizações na universidade via cartazes, exposições, grafitagem (maior apelo visual como estratégia de visibilização da pauta da diversidade sexual).

Que o Coletivo de Mulheres UFRGS seja parceiro e participe da III Marcha de Mulheres Lésbicas que ocorrerá no dia 29 de agosto, o dia da Visibilidade Lésbica, considerando o pouco apoio que o grupo recebe e o quanto é difícil essas mulheres estarem na marcha em pouco número.

Que o Coletivo de Mulheres UFRGS promova maior divulgação para o III Encontro de Mulheres UFRGS tendo em vista que havia muitos espaços da universidade que a divulgação deste ano não conseguiu atingir. Pensar em estratégias de divulgação que possam atingir um maior público.

Articular para que existam formas de defesa jurídica a comunidade acadêmica que sofrem preconceitos e discriminação de qualquer tipo com relação a gênero e sua expressão sexual, além da criação de uma ouvidoria com um canal direto via representantes discentes para os casos de preconceitos.

Que o Coletivo de Mulheres UFRGS construa um calendário de festividades do Coletivo prevendo manifestações em datas especificas durante o ano.

GD5 - Estereótipos e Padrões de Beleza

Estimular as mulheres a serem livres, conscientes, que trabalhe suas contradições no cotidiano na relação de produção/consumo. Estimular as livres expressões da mulher na pluralidade.

Defendermos uma mídia plural e ati-hegemônica.

Reivindicar cartazes de festas com pessoas reais na UFRGS e não com pessoas totalmente artificiais, com padrões de beleza inatingíveis.

Propostas Individuais:

Propostas que não foram consenso em seus GDs e por falta de tempo não puderam ser apreciadas na planária final, então ficaram como sugestão de debate e estudo ao longo do ano para acúmulo para o III Encontro de Mulheres UFRGS.

· Pensar uma maneira de garantir com que as profissionais do sexo não sejam obrigadas a se retirar dos pontos por denúncia de vizinhos ou proprietários de apartamentos ou estabelecimentos comerciais aos agentes de segurança (brigada militar...).

· Aprovação do Estatuto Legal da Prostituição e do projeto de lei que regulariza a profissão de profissional do sexo.

· Criação de um GT com Brigada Militar, Guarda Municipal, DECA, Polícia Federal, Conselho Tutelar com acompanhamento da mídia para dar conta dos casos de prostituição infanto-juvenil, pois o NEP não pode ser responsabilizado por estes casos.

· Inserir mulheres profissionais do sexo e travestis/transgêneros em situação de rua na Lei Maria da Penha, com acompanhamento do Ministério Público.

· Contra a violência policial exercida sobre @s profissionais do sexo.

domingo, 27 de setembro de 2009

II ENCONTRO DE MULHERES UFRGS

Dias 5 e 6 de Junho na Faculdade de Economia da UFRGS

O Coletivo de Mulheres UFRGS convida a TODAS e a TODOS para refletir sobre a história do feminismo, direitos sexuais, violência contra a mulher, o papel da mídia na construção da identidade feminina, Crise Sexual, entre outros temas no II Encontro de Mulheres da UFRGS.


Traga suas questões e inquietações e venha compartilhar conosco a vontade de mudanças!

Contato: coletivomulheresufrgs@yahoo.com.br

Nosso blog: http://coletivomulheresufrgs.blogspot.com/
Comunidade no Orkut: Coletivo de Mulheres da UFRGS

PROGRAMAÇÃO DO II ENCONTRO

5 de Junho – Sexta-feira

19h
Mesa de Abertura: História do Feminismo

Saraí Brisxner – Integrante do Movimento de Mulheres do MPA (Movimento de Pequenos Agricultores) e da Via Campesina

Jussara Reis Prá – Doutora em Ciência Política pela USP, Professora do programa de Pós-Graduação em Ciência Política - UFRGS, pesquisadora do NIEM – UFRGS (Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre a Mulher e Gênero) e militante feminista

Representante do Movimento de Mulheres da UFRGS da década de 70


06 de Junho – Sábado

09h

Mesa: Violências contra a mulher: mascaradas/escancaradas

1º momento: Lei Maria da Penha e Casamento Homossexual

Maria Berenice Dias - Pós-graduada em Processo Civil pela PUCRS, Desembargadora e militante pelos direitos das mulheres e homossexuais

2º momento: Mulher, Mídia e Subjetividade

Martha Narvaz - Doutora em Psicologia do Desenvolvimento pela UFRGS, Psicóloga e militante feminista

12h
Almoço (Com opção para vegetarianos)

13h
Oficina: Percepção Corporal

Maria Albers - Licenciada em Dança pela UERGS e Professora de Dança Flamenca

14h
Mesa: Sexualidades: Crise Sexual e Novas formas de amor
Margarita Aguinaga - Equatoriana, Socióloga, feminista e militante social e política
Marco Rodrigues - Sociólogo e integrante do Grupo RLi (Relações Livres)

16h
Grupos de Discussão (GDs)

GD1: Prostituição

Representante do Núcleo de Estudos sobre Prostituição (NEP)

Facilitadora: Milena do Carmo - Licenciada em Ciências Sociais pela UFRGS

GD2: Aborto e Políticas Públicas de Saúde para a Mulher

Thais de Lima Resende – Doutora em Ciências da Saúde pela PUCRS, Médica e Professora da FAMED – UFRGS

Facilitadora: Bárbara Kilpp - Coordenadora Geral do DCE – UFRGS e acadêmica de Medicina da UFRGS

GD3: Discriminação no Mercado de Trabalho e na Universidade

Bernadete Menezes - Coordenadora Geral da ASSUFRGS e acadêmica de História da UFRGS

Facilitadora: Ana Paula Madruga - Licenciada em história e acadêmica de Ciências Sociais da UFRGS

GD4: Opressão - Identidade de Gênero e Livre Expressão Sexual

Silvana Conti - Coordenadora do Fórum de Mulheres de Porto Alegre e Articuladora Nacional da Liga Brasileira de Lésbicas

Fernando Pocahy - Mestre em Psicologia Social e Doutorando em Educação pela UFRGS.

Facilitadora: Cristiane B. Pegoraro - Acadêmica de Psicologia da UFRGS

GD5: Estereótipos e Padrões de Beleza

Margarita Aguinaga

Facilitadora: Kátia Azambuja - Acadêmica em Ciências Sociais da UFRGS

18:30min
Atividade de dança com a Cia. De Flamenco Del Puerto

19:30min
Plenária Final - Votação dos Encaminhamentos dos GD's

21h
Mística

22h30min
Festa Desamarrem-se! no DCE.

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Inscrições para o II Encontro de Mulheres UFRGS

Para inscrever-se basta enviar um e-mail para: coletivomulheresufrgs@yahoo.com.br
contendo como assunto: "inscrição" e no conteúdo as seguintes informações:
Nome Completo:

Curso/Universidade (ou instituição/movimento):

E-mail para contato:

Número Cartão UFRGS*:

Certificado**: ( ) desejo certificado ( ) não desejo certificado

Almoço***: ( ) vegetariano ( ) não vegetariano

Creche: ( ) não necessito de creche
( ) necessito de creche - Número de crianças: _____ e Idade(s) da(s) criança(s): _______


* participantes de fora da universidade devem informar o CPF, RG e data de nascimento
** somente serão fornecidos aos participantes que obtiverem frequência igual ou superior a 75% no II Encontro
*** mediante o pagamento do valor de R$ 5,00

Sexo, Prazer e Afetividade

Do grupo
"Relações Livres - PoA" - Inverno de 2009
e-mail: universolivre2006@gmail.com


Nossa antiga e pesada tradição de moral sexual repressiva
(que combina infantilismo sexual e romantismo) morreu.

Mas o cadáver é herdado como cultura moral ainda hoje
e de vez em quando é apresentado como espantalho pelas antigas e novas religiões.

Apesar disto, do ponto de vista intelectual,
a crítica da moral sexual tradicional é devastadora.
Não sobra pedra sobre pedra.

Para quem quiser seguir apenas uma linha da trilha...
veja nos 130 anos que vai da publicação da teoria da família de Engels,
passando pela visão de sexualidade de Freud e Kinsey,
das críticas anti-repressivas de Reich ao feminismo,
às rebeliões juvenis, a "revolução sexual" da década de 1960 e
aos movimentos GLBT, aos atuais congressos mundiais de sexologia...
até, no Brasil, Robeto Freire, Gaiarsa e Regina Navarro Lins.

Mesmo que o problema permaneça na cultura... como mortos insepultos,
aqui queremos abrir uma nova proposta para o século XXI.

Para nós, solteiros e casados deixam de existir. Aquela antiga oposição entre ser livre com sexo casual versus ser comprometido com sexo empacotado e rotineiro desaparece.

Hoje... a concepção de relação livre organiza a vida de tal forma que vivemos, a um só tempo, às relações afetivas estáveis, continentes, baseadas na densa amizade mas também, e simultaneamente, as relações organizadas pelo prazer mesmo da atividade sexual, sem outra decorrência. Nossa estrutura não é pelo casual ou pelo estável, mas por uma livre combinação de ambos, que ainda permite outras intermediárias.

Não estamos com Sílvio Santos: "é namoro ou é amizade?". Não queremos a esquizofrenia de "profundo ou casual". Do "amoroso ou prazeiroso".

Porque tudo isto nos interessa imensamente... e ao mesmo tempo.

O sexo não deve ser restrito a relação afetiva ou que tenha que acabar nisto. As pessoas podem vivenciar as potencialidades da sexualidade sem estar ligada ao amor. Há um afeto específico da relação sexual imediata, que tem de ser exercitado de forma específica.

Não há razão para subordinar ou associar necessariamente a dimensão sexo-prazer à ordem estável das relações afetivas duradouras. O sexo-prazer permite uma intensidade de troca que o sexo-afeto não permite, já que a variedade de parceiros que ele oportuniza acelera trocas só possíveis nestas condições. Isto implica em mais aceleração de crescimento, de encontros.

O sexo-prazer deve libertar-se de uma estruturação sentimental muito pesada, ganhar vida, livre exercício. O amor não pode (por seus grandes méritos) sufocar esta específica possibilidade.

A negação de uma esfera simples de sexo-prazer deriva de uma restrição de vida, incapaz de ver a beleza do sexo quando sem continuidade e da incapacidade de superação dos traumas de separação. O que acaba gerando um sexo sob estrito controle afetivo. Uma afetivação obsessiva, negativa, restritiva, que só gera trocas sob controle. O sexo-prazer não pode estar na dependência do amor como seu legitimador. Isto gera mais sufoco que satisfação.

Também não há que se orgulhar do sexo não gravitado pelo afeto; o encontro dos corpos que não traz ao encontro o sentimento; o prazer do corpo que desautoriza o apego. Um ufanismo em torno do sexo sem sentimento não pode ser a sina de quem quer viver o sexo livremente. É óbvio que temos um arsenal inesgotável de doação amorosa, tão ou mais constante que o desejo sexual.

Queremos sexo livre e amor livre. Sexo múltiplo e amor múltiplo... pois nós somos ricos as pessoas são singulares!

Pensamos que a vida sexual plenamente livre, absolutamente não conjugal, organizado sob as formas de relação livre, onde o sexo é múltiplo, diversificado, com pessoas livres e casais livres (sem amarras de enclausuramento), torna-se algo absolutamente simples... mas simples também podendo ser o apego, o afeto, a gratidão... o vínculo.

O grupo "Relações Livres - PoA" vive e organiza o debate sobre relações sem restrição monogâmica.

* Participa da organização do encontro anual "Diversidade Sexual - RS"
* Organiza o encontro semestral Universo Livre
* Organiza o festival semestral de curtas Universo Livre

Amar duas pessoas ao mesmo tempo.

por Regina Navarro Lins

Grupo Relações Livres

Há aproximadamente 30 anos um filme causou tanto impacto que foi proibido em vários países: Le Bonheur (A felicidade), da francesa Agnès Varda. Conta a história de um casal feliz, com dois filhos pequenos, que costumava passar os domingos num belo parque.


Numa viagem de trabalho a uma cidade próxima, o marido conhece uma moça, por quem logo se apaixona. Começam um intenso relacionamento amoroso, entretanto, isso em nada afeta o casamento. Ele continua amando e desejando sua esposa, com a única diferença de se sentir mais pleno, com mais alegria de viver. Acostumado que estava a compartilhar com ela todos os aspectos da sua vida, num daqueles dias no parque, enquanto as crianças brincavam distantes e eles, abraçados, descansavam na relva, ele resolve contar o que está acontecendo.


Relatando com toda a sinceridade os fatos, afirma à sua atenta ouvinte que em nada ela foi prejudicada, pelo contrário, é como se numa macieira mais uma maçã tivesse nascido. Percebe estar podendo amá-la ainda mais, já que se sente mais feliz. Como de costume, fazem sexo e dormem. Na cena seguinte ouvem-se gritos vindos do lago. Ao acordar e não ver sua mulher ao lado, corre à procura dela. Chega a tempo de ver seu corpo sendo retirado. Naquele momento, procurando reconstituir em pensamento o que poderia ter ocorrido, imagina ela se afogando e, desesperada, tentando se agarrar a troncos de árvores para se salvar. Era tão verdadeiro o seu amor, que em momento algum passa pela sua cabeça o que de fato tinha acontecido: ela não suportou saber que ele amava outra mulher e se suicidara.


Na cena final ele e sua nova esposa, a antiga amante, passeiam alegres de mãos dadas, no mesmo parque com os filhos dele. Os moralistas não se conformaram. Afinal, para eles a transgressão de amar duas pessoas ao mesmo tempo merecia algum tipo de punição. Mas nada de mal acontece com o personagem e sua ausência total de culpa pela morte da mulher foi considerada inadmissível, tendo chocado muita gente.


O que poucos perceberam é que não havia mesmo motivos para culpa. O sofrimento vivido pela mulher, e que a levou a uma atitude tão desesperada, é que foi absurdo. O que estava ela perdendo? Absolutamente nada. Ao fazer com que todos acreditem ser impossível amar duas pessoas ao mesmo tempo, o modelo de amor imposto na nossa cultura torna inquestionável a conclusão: “se ele ama outra é porque não me ama”.


Contudo, não há dúvida de que podemos amar várias pessoas ao mesmo tempo. Não só filhos, irmãos e amigos, mas também aqueles com quem mantemos relacionamentos afetivo-sexuais. E podemos amar com a mesma intensidade, do mesmo jeito ou diferente. Acontece o tempo todo, mas ninguém gosta de admitir. A questão é que nos cobramos a rapidamente fazer uma opção, descartar uma pessoa em benefício da outra, embora essa atitude costume vir acompanhada de muitas dúvidas e conflitos.


Mas afinal, por que se tem tanto medo de amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo? O terapeuta José Ângelo Gaiarsa afirma que “somos por tradição sagrada tão miseráveis de sentimentos amorosos que havendo um já nos sentimos mais do que milionários, e renunciamos com demasiada facilidade a qualquer outro prêmio lotérico (do amor)”. E essa mesquinharia afetiva se desenvolveu a partir da crença de que somente através da relação amorosa estável com uma única pessoa é que vamos nos sentir completos e livres da sensação de desamparo. Não é à toa que exigimos que o outro seja tudo para nós e nos esforçamos para ser tudo para ele. Mesmo à custa do empobrecimento da nossa própria vida.

EXISTE EL EROS FEMENINO?

por Margarita Aguinaga

Por qué para las mujeres, es tan difícil hablar de la erótica?. Hablar de lo erótico, en todos sus planos, es más difícil, aun más, si se es, mujer pobre, negra, indígena y mestiza. Será, por qué el confinamiento sexual, de las mujeres, es tan basta, como basta, es la capacidad adquirida de los hombres, en sus diversas, multiformes y extendidas prácticas sexuales?.

La condición estructural, muestra, una total desigualdad entre hombres y mujeres, no solo en el acceso, sino en la capacidad de experimentar, de conocer, de practicar, de crear el mundo de lo sexual. Decirlo así, me causa escollos desde el inicio, por ejemplificar: mientras el más común de los hombres, aprendía a masturbarse, se introducía al sexo, desde su adolescencia, a ocultas o no, desde una edad temprana, la mayoría de mujeres jóvenes y adultas, indistintamente, sea que esos espacios, fueren alternativos o mercantilizados, se quedaron fuera, o casi fuera de aquellos vínculos sexuales.

Es sumamente importante, partir de este criterio, para entender, el nivel de poder sexual, que los hombres, históricamente, han ido alcanzando, la capacidad que han adquirido, de generar una multiplicidad de formas sexuales, de generar, acceso, espacios de intercambios sexuales, sean, monogámicos o polígamos. El “mundo sexual masculino existe” y es in extenso desconocido, para miles de mujeres.

Lo dicho, en primera instancia, para evidenciar, la profunda desigualdad sexual, entre hombres y mujeres, frente a los ámbitos del eros, y de ahí, hacer una cierta aproximación para explicar, el por qué, el extendido dominio masculino, en las relaciones sexuales.

Segundo, afirmar que, el eros ha sido construido, de forma desigual, no porque ellos, a los largo de la historia, del desarrollo del eros masculino, no se han propuesto, formas de relación sexual alternativa; sino porque, el eros masculino, descansa milenariamente, principalmente, en la aceptación del sujeto masculino-heterosexual, como sujeto histórico creador, propietario, dueño y reproductor del deseo, mientras la mujer no. El eros masculino, se hace poder sexual, en la subordinación de los cuerpos y su complejidad.

El escollo que siento, mientras sigo escribiendo, se transforma en un ímpetu para avanzar, poco a poco, a reconocer que esta desigualdad, ha provocado el abismo sexual, que existe entre hombres y mujeres, entre el eros masculino y el eros femenino, -si existiere algún eros femenino. Es innegable, que las mujeres, intervengan o no, en los asuntos de la erótica, -asumiendo, que mayoritariamente, están prohibidas de hacerlo-, reproducen este proceso, desde la ausencia de conocimiento y experiencia, desde la invisibilización sexual, la represión, la mercantilización de sus cuerpos y desde los lugares de su confinamiento privado y público, sea en la casa, en la cama, en el trabajo y en el estrecho margen de espacio público que tenemos.

Tercero, decir, que el dominante eros masculino, practicado por todo, aquel o aquella, que ocupa el lugar, de quien decide la relación sexual, ancla su existencia, no solo en intercambios de tipo sexual, sino económico-de clase, culturales, políticos, lingüísticos, artísticos, étnicos, al punto de permear toda la sociedad, bajo el poderoso “patrón erótico masculino”.

Podemos decir, que este patrón erótico masculino, se ha transformado, en monopolios de producción y acumulación capitalista?. Sí, es indudable, este “patrón”, no es un problema individual, de un hombre en particular, es constitutivo de la relación de clases, por dar un dato, el tercer rubro global, de enriquecimiento transnacional, más poderoso, luego de las armas y el narcotráfico, es el tráfico sexual de mujeres, niñas y adolescentes, para la explotación sexual. Redes extendidas, ahora, no solo a mujeres pobres, asiáticas, africanas y latinoamericanas, sino inclusive, hacia mujeres jóvenes, estudiantes de colegios, universitarias de estratos medios, profesionales, que se incluyen, buscando un status sexual o una mejor posición de clase. Aún, sin un estudio cabal, sabemos el enriquecimiento de las cadenas empresariales de comunicación y la multimillonaria captación de recursos monetarios, tecnológicos, ideológicos, sabemos, que es impresionante el dominio sexual, por medio de la pornografía diversificada en medios visuales, escritos, auditivos, electrónicos, etc.

Entonces, podemos hablar, del eros pornográfico?. Si. El eros pornográfico, sostiene parte de la mercantilización, sabe utilizar, las palabras sexuales, para volverlas, comunes, vendibles, atractivas, eróticamente casuales, de moda, usables e impactantes, importa el lenguaje sencillo, hasta vulgar, y vuelve, erótica la cotidiana intimidad sexual. Ese lenguaje, permite predominios, fuerza, intercambio sexual masivo. La pornografía, ha alcanzado el espacio público y simbólico, de nuestras intimidades, para generar un poder masivo, ha copado un espacio tal, que ni el arte erótico, ha alcanzado a hacer.

Cabe indicar, que estos son espacios, mayoritariamente, abocados al uso masculino y de concentradora atención, y confluencia de clase. Sin embargo, el cuerpo femenino participa, compone y al mismo tiempo, se reproduce en esos ámbitos, constituyendo la base, sobre la que se asientan, también otras formas de dominio erótico masculino.

Se me ocurre mencionar, otros dos espacios, en los que se vuelve a reproducir, el confinamiento y la exclusión de la “erótica femenina”.

“La cama”, sí, aquel lugar, en que él y ella, él y él, ella y ella, hacen una cultura sexual. Lo que, tal vez, empezó siendo eróticamente bello, luego, no es sino una buena costumbre o el espacio del desencuentro permanente y la reproducción, de las opresiones sexuales históricamente, más cruentas.

Para ubicar, de cierta forma, la difícil contingencia, a la que se enfrenta el “eros femenino”, es preciso, retomar algo de memoria histórica, cuando reconocemos, que la colonización, como hecho fundacional, se convirtió, en el factor nodal, no solo económico, sino en el hecho de dominación sexual, combinando, en el mestizaje, la inclusión del eros-dios del amor occidental, eminentemente de origen masculino con la violencia sexual, como expresión de la contraposición, que a la larga, volvió in-dialogal, la maternidad y las vivencias eróticas de las mujeres, haciendo que todo acto de erótica, devenga en la maternidad, que al mismo tiempo, desproveería a la mujer de su capacidad erótica, para que ella, aspire a la santidad mariológica permanente y, en muchas ocasiones, asuma, como parte de su vida, la disputa sexual con otras, de los objetos sexuales: marido, amante, hijos, familia, erótica, etc. Y lo que se perdió, en ello, fue su autonomía y su capacidad de decidir, acerca de su cuerpo y de su erótica.

Está claro, que las mujeres, somos introducidas al deseo, asumiendo, que “no tenemos erótica” ni mayor poder; alguna vez, le dije irónicamente a alguien: “las mujeres no nacimos para crear nada erótico”, somos consideradas “sujetas creadas por la erótica”, beneficiadas por el eros de ellos, por eso, somos “deseables”.

Aun sin desarrollar, decir que, también el arte erótico, sea la pintura, la escultura, la escritura, la fotografía, son lugares de élite, es cierto, de privilegio para pocos y de profundo desconocimiento para miles, en que, la mayoría de mujeres, casi no acceden ni a la lectura ni a la literatura erótica. Preguntémonos: ¿cuántas amas de casa, acceden al arte erótico?.

ES POSIBLE LA EROTICA FEMINISTA?

En este tema, siempre, habrá más preguntas que respuestas. Nuestra revista feminista, es solo un pasito, aperturando el debate.

Me vuelvo a preguntar, ¿existe la erótica femenina?, ¿cuál, realmente es el nivel de opresión sexual, que viven las mujeres, en la relación erótica?, ¿es simple pensar en alternativas?, ¿es importante desarrollar la erótica feminista cómo una posibilidad?. ¿Qué hacer con aquellas intenciones de ir a lo eróticamente bello, como una posibilidad de transformación colectiva?.

Se me ocurre decir, que no es posible, la reflexión de la erótica, sin, partir, de las reales condiciones sexuales de las mujeres y los hombres, anunciar la larga travesía que espera a nuestros eros, para aprender, a reconocer los conflictos, y si hay, reconocer las reales posibilidades de creación erótico-feminista.

Y colocar, sin adornar, las palabras eróticas, de lo que pueda manifestar en mis escritos, reales e imaginarios, como una forma inicial, de decir aquello, con el nombre que tiene; decir, desde el lenguaje cotidiano, la experiencia de la que parte mi cuerpo. Colocando dos soportes vitales, los avances de la teoría feminista, de lo erótico y, centrando, los límites de lo que se quiera manifestar, en la opción, en la capacidad de decidir, acerca de la experiencia sexual, reconociendo contradicciones, en el paso del amor profundo al deseo intenso, para intentar re-prensar-me sujeta, de mis propios deseos sexuales. Asumirse feminista, no significa, haber resuelto las problemáticas de lo erótico, sino, reconocerse humana, con interrogantes similares, y rollos tan comunes como las otras, muchas veces, frente al placer y las relaciones sexuales. Y sin negar nuestros límites, avanzar hacia otras posibilidades.

A veces, tal vez, polemizando un poco, desde algún episodio imaginario femenino. Entonces, se me ocurre, seguir escribiendo, dejando que los dedos, creen una episódica fantasía sexual femenina, para volver a colocar, otra vez las preguntas: ¿eros femenino?, ¿eros feminista?, mujer?, en su inacabada forma de vivir, en el impulso por ir, hacia lo diferente y no alcanzar a llegar, a veces, solo lograr ir hasta ahí, sin preguntarme nada más, sin entender, aún que es un eros referencial, para volver, desde la imaginación femenina expuesta, otra vez a buscarme, estableciendo alguna forma de resistencia y satisfacción propia, en la dualidad y las contradicciones que encarna el eros masculino. Entonces, desde el imaginario femenino, intocado y casi desconocido, para mantener abierto el debate, la siguiente historia sexual: “amor, imaginémonos eróticamente bellos”:

(…)Eso es lo que quiero, seguir sintiendo cada vez, cada vez, que sienta, este deseo de festejar, política y sexualmente, un acontecimiento contigo. Cuándo?, después de una reunión política, como la de hoy, tal vez, una de las más importantes en mi vida, porque dejó, mi imaginario erotizado, sintiendo que tenemos, tanto amor cotidiano aprendido.

Las mujeres, no somos benditas…, las mujeres somos humanas, eróticas, inteligentes, bellas,…, capaces de dilucidar una vida propia, a pesar de nuestras contradicciones.

Cómo crees, que no voy a sentir amor, después de un día, como el de hoy, en que las mujeres políticas, llegadas de varios lados, de varios sentires, y luchando por tener voz propia, me han permitido, saber, en la práctica, que fue un acierto, renunciar a la política del cubículo, para encontrarnos, desde una mirada diversa, colectiva, conflictiva, abierta, reflexiva, sin amarres ni posiciones manidas, frontales, aunque aún silenciadas, entre tantas contradicciones, que incluso no alcanzamos a entender, porque nuestros cuerpos, siguen atados, a una fachada de libertad sexual, propiciada por un patriarcado “moderno”, y un capitalismo en crisis, que aún, nos envuelve, a vivir cómo dicta.

Imagíname, después de un día así, llegando hacia ti, con una sonrisa de dicha, con mis labios humedecidos, por la llovizna de la noche, que no me molesta, porque mi cuerpo, sigue caliente, con las emociones del día. Imagíname que llego a ti, e inmediatamente mis senos te piden que los beses y que nos desnudemos. Imagíname, mirándote con mi dulzura, llevándote una flor de amaranto. Comparte conmigo, la felicidad de existir hoy, mírame llena de mi amor y mi deseo.

Imagina que te beso, que soy capaz, de romper la idea, de que el sexo y el eros, son de pertenecía masculina. Imagina, que subo y resbalo, con fuerza por tu sexo y que mi conducto vaginal, envuelve apasionadamente tu erección. Imagina que mi amor, no puede sino, ahora, festejar contigo dentro, abrazándote, esta vez, siendo, yo quien habla a tu oído, diciéndote, que imagines los cuerpos encendidos que quieras, que los toques, las veces que quieras, sin embargo, no dejes de inspirarte, en este amor profundo, que siento hacia la vida. Imagínate, que corro el riesgo, de abrir tus piernas y besar tu sexo, hasta que esté mojado para mí.

No estoy dispuesta, a perder un solo minuto, de ésta fiesta sexual–política, dejando de encontrarme contigo, con tu cuerpo, hace tiempos, por razones de cambio político-social. Imagíname, sintiendo placer, porque mis dedos, recorren tus rulos alborotados, mientras tus manos hermosas, llevan mi espalda, empujada eróticamente hacia ti.

Cómo me pides que juegue con tu sexo?..., ¡cierto, es que no hay seriedad sexual, sin alegría!. Me pides, que me invente, movimientos eróticos, imagínate, ¡que atrevimiento!, ahora que soy capaz de llevarme, hasta el fin, de la trama del deseo sexual. Bien, entonces, con mis movimientos, deberás conocer, como mi vagina, está aprendiendo a acariciar, porque no solo las manos saben acariciar.

Las vaginas saben acariciar!!!…de miles de maneras. ¿Acaso no haz sentido, una vagina, posarse en tus labios y dejarse descorrer, mientras tu lengua, se empapa?. ¿Acaso, no has dejado, al aire libre, resbalar una vagina por encima de tus muslos?. Tal vez, debes haber sentido, cómo una vagina, es inventiva en sus movimientos, no hace, meros movimientos de subi-baja, a menos, que haya perdido la imaginación, aunque, siempre se la puede recuperar, es que las vaginas son así…a veces, no quieren mojar a nadie, otras veces, quieren mojar a tod@s l@s que pasan, pero, como es imposible y saludable, no hacerlo, solo buscan a quien mojar, por deseos, de mancomunidad sexual.

Viste, no solo el sexo masculino, es capaz de acariciar, el sexo femenino, aprende, aprender y re-establece, su capacidad de provocar. Las caricias de la vagina, sobre un cuerpo, se ven artísticas, aunque tropiecen y, otra vez, no sepan acariciar.

(…)En fin, quería hacerlo así, decidir, cuando, yo me quiero dejarme penetrar. Cómo cada hecho, tiene sus sentidos!. Te gustaría sentir eso??, el espacio confabulado, con calma, solo rozar y rozar. A mí, me excitaría tremendamente.

Solo, no olvides, qué estamos festejando, ¡es por mis deseos político sexuales!. Qué eso no existe?, claro que existe!. No olvides que llegué feliz… no te olvides que la política nos junta, y que estoy aprendiendo, a sentir y caminar juntos, con una multitud de cuerpos femeninos, no te olvides, que hoy fui a hacer política y me encantó, estar contigo en mis pensamientos.

No te olvides, que hoy aprendí, a hacer una propuesta, con un montón de mujeres, con ellas, nos fuimos de bronca contra el gobierno, es que solo no escucha a medias, como si no fuera su responsabilidad, escuchar nuestros criterios, en fin, aun creerá que nos hizo un gran favor. No te olvides, que aprendí, a compartir con otras, nuestra capacidad de lucha, no te olvides que ayer, gritábamos, sin ser un bulto más, en medio de una reunión muy formal, que festejaba “el ocho de marzo”, propiciada por un gobierno que acepta a presión, los derechos humanos de las mujeres, y a la vez, justifica el machismo. Pues ni j de aceptación, de una situación así, por eso, de que no le queremos pertenecer a nadie, tal vez, tiene sentido, a viva voz, igualdad, paridad y género, exigir más democracia para las mujeres; tal vez así, un gobierno, que dice, que es de la revolución ciudadana, no nos mande sacando, en determinadas ocasiones, por la ventana, cada vez que demandamos, un corto derecho más.

Hoy, me volví otra vez feminista, y con esos ojos, me acerco a ti, deseándote muchísimo. Hoy mis ojos, esos que saben mirar tu sensualidad, se llenaron de alegría, al ver yo, por primera vez, en mi historia, ya de varios años, mujeres indígenas, negras, montubias, mestizas, de recónditos lugares del país, mujeres empobrecidas por la crisis económica, por los modelos de histórica negación patriarcal y racial, como gritaban “resistencia de mujeres, resistencia feminista”, llevando en sus cabezas, los pañolones de lucha sexual, !no se resistieron al feminismo!, hoy lo pudimos vivir, sin preguntarnos ¿y qué es el feminismo?, solo lo practicamos… nadie dijo: !no soy feminista, nadie refunfuñó que dizque, el feminismo es lo contrario del machismo!. Cachimba!, yo las amaba a todas. Eso no significa, que el feminismo, salió de su crisis, no, pero en mi tierra andina, nosotras las feministas, en ese momento, no nos sentimos solas.

Eso?, solo eso?, cómo que solo eso?, es que ha sido bien importante, ¡mira su significado!. Por ello, yo me pido a mí misma, aprender a gozar de mis siguientes amaneceres. Es lo que festejo.

Imagínate, que estallo (esa es tu palabra) sexualmente,(…). Sé, que puedes captar mi emotividad, mi paz, mi cuerpo abierto, otra vez para ti, dulce, explosivo, manifestando con el leguaje de mis movimiento, lo que siento, desde mi pechos erectos, en sus posibilidades, sedienta de vos, con mi vagina ardiendo, ardiendo de sentirme, además, de físicamente agraciada por tu penetración, feliz, porque, tu penetración, comparte conmigo, mi capacidad, de estar aprendido, a hacer política con una multitud. Así, es como mi vagina, te aprende a acariciar, -sé lo que estoy diciendo, claro, desde mi propia manera, desde mi lugar histórico, junto a las otras, con las que comparto, opresiones comunes y reinvenciones de nuestras eróticas, de nuestros placeres.

Cómo piensas, que no voy a festejar, a llegar a un máximo orgasmo contigo, a gritar de placer, engullida de satisfacción y no de santificado dolor, cuando aprendo, a dejar de lado, mi individualismo político y me acerco a conocer, que el feminismo, es una manera alternativa de vivir. Ese, es mi encuentro sexual contigo. (…)Solo que ésta noche doy mi vida, con tal de disfrutarte a vos, solo a vos…No quiero, que tu sexo ni el mío se sientan apretados de dolor, no eso no.

Antes pasó, hoy parece que lo ignoro, a veces, ya no recuerdo, si la política y el sexo, se llevan así de bien, solo sé, que quiero reventar contigo, por mi causa.

...es lo que quise en ese momento y lo que alcancé a imaginar…

A Masturbação Feminina, experiência auto-erótica para a libertação da opressão sexual

*por Margarita Aguinaga


Às vezes, a masturbação feminina é um tema do qual nos custa falar, é um tabu, um medo, a ser dito em voz baixa ou com um pseudônimo, uma quase agressão sexual para o ouvido, na qual se prima pela negação das mulheres e a sua incapacidade para reconhecer seu desejo sexual, que as diferencia dos objetos. Muitas vezes, esse tema está ausente no próprio diálogo feminista e na esquerda.

Sem deixar de considerar que a masturbação feminina poderá assumir as formas que se queira, a pergunta é: ela é importante no processo de assimilação da individualidade feminina e da luta por uma nova prática em que as mulheres possam experimentar- se e apropriar-se de seu corpo?


A masturbação feminina está invisível para a maioria das mulheres, assim como a sua capacidade de decidir, de falar, de trabalhar.Tem sido considerada de segunda ordem. Muitas vezes, a expectativa sexual de primeira ordem é o encontro sexual com um homem, porque a experiência sexual com um homem se transformou numa finalidade quase “absoluta”. A masturbação feminina, para algumas mulheres, existe somente para desafogar a solidão ou a falta de um homem, como se fosse o preenchimento do intervalo entre duas relações espaçadas.


Para a mulher, ter um espaço na cama, com sua solidão corporal e sexual, transforma-se em todo um processo: movimentos sexuais, tocar-se para romper a barreira do medo de fazê-lo e dizê-lo, o reconhecimento do imaginário, das sensações, dualidades, significados, barreiras difíceis de ultrapassar. Por exemplo, a posição difícil de mudar ante si mesma, as múltiplas opressões que se manifestam nas imagens que constroem sobre seu corpo. Finalmente, são linguagens extremamente importantes para dar significado e interpretar, para reconhecer a divisão sexual naquilo que é o centro da opressão sexual manifestada na construção psíquica, econômica, política, cultural, sexual, de seus desejos e seu corpo.

Não é só um montão de carícias no corpo, é um processo de luta por uma intimidade para a apropiação do corpo individual de cada mulher. Ainda que nos incomode escutar, a masturbação é o rincão onde começa a experiência auto-erótica e, para as mulheres, é um passo essencial em busca do seu amor próprio. É que a experiência “auto-erótica do máximo prazer feminino” por meio da masturbação, talvez possa permitir que as mulheres ocupem o território esvaziado de seu corpo, destinado ao domínio sexual dos outros. E, ao converter o desejo numa opção e não numa necessidade, poderia articular-se um processo de diferenciação emancipadora de sua sexualidade. Tornar-se outra, mas como indivíduo e com sua própria capacidade, auto-reconhecida em seu próprio poder sexual e em sua própria capacidade de decidir, além de reconhecer a beleza e a profundidade do corpo dos outros/outras. Nesse momento, poderia produzir-se o passo do desejo intenso ao amor profundo. É que esta experiência auto-erótica vai além de um impulso biológico do desejo; é, antes de tudo, humanizadora e criadora.


Há passos muito curtinhos entre o desejo profundo e o amor intenso. Mas as mulheres, às vezes, nem sequer chegam a saber o que significa. As mulheres foram castradas em suas exigências sexuais básicas. A cultura dominante instalou, nos corpos das mulheres, um cinto de castidade social que as oprime. E quando querem desabotoá-lo, os outros vociferam que é necessário parar essas possíveis irracionalidades femininas, advertem que as mulheres ficarão loucas e descontroladas. Então, para acalmá-las, é preciso devolvê-las ao poder masculino e submetê-las à sua autoridade.


Cabe construir uma ponte entre o processo de sensibilização sexual feminina como componente da sexualidade e a ação sensitiva e afetiva sexualizada. Cosntruir a masturbação feminina como o epicentro do prazer do corpo, de si mesma e de uma coletividade. Seria o espaço de autoexploração do desejo sexual individual, manifestado no diálogo da mulher com sua própria corporalidade, em prol de olhar a si mesma, sem esconder-se de si.


O feminismo tem dito que a autonomia das mulheres carece de um processo de individualização e transformação total da relação entre as e os outros. Cabe pensar que a masturbação feminina faz parte dessa exigência, dessa necessidade. A erótica feminina é um espaço de poder que permite levar adiante a diferença entre o masculino e o feminino, é a mulher encarada a partir de suas próprias práticas sexuais íntimas, questionadas socialmente e encarceradas no “privado femenino”, do qual só se atrevem a falar mal, ou do qual se ocupam os doutores para intervir desde a biologia, a medicina ou a psicologia. Ou, ainda, a igreja para decidir sobre a sexualidade de toda uma coletividade.


Tirada do baú das avós, não há nada mais belo que a masturbação feminina. Reconhecer a pele, as sensações, o próprio prazer, é uma fonte de vida e de amor próprio, é um ato de criação política. Se tratamos de liberdade, uma das liberdades mais importantes para as mulheres é o sentir a si mesma sem preconceitos, o contato com seus desejos, superando as barreiras patriarcais instaladas na consciência que lhe nega a satisfação sexual. A satisfação sexual feminina é a base da erótica feminista.


Como quase todas as demais, a masturbação feminina começa com o reconhecimento da experiência sexual construída com os e as outras. Poderíamos dizer que, na maioria das vezes, o masculino exerce uma importante construção da ideia da masturbação, porque o masculino é considerado o motivador sexual e gérmen da sexualidade feminina. A sexualidade masculina, numa sociedade patriarcal, cumpre o papel de “origem“ do prazer sexual até converter-se no concentrador e reprodutor das sexualidades femininas e masculinas como forma de poder. Si não fosse assim, o poder sexual exercido a partir de uma concepção falocêntrica, androcêntrica e heterossexual não seria tão profunda e difícil de superar.


Entretanto, a masturbação feminina está longe de ser um recurso complementar ao prazer feminino ou de busca de maior prazer feminino. Ela poderia ser considerada uma estratégia, uma nova maneira de relançar a sexualidade feminina, de aproximar-se do prazer por “decisão própria”, de ser a devolução do controle, do reencontro, do retorno à criatividade, à capacidade sexual e ao poder feminino a partir do corpo das próprias mulheres.


Desejar-se, querer-se, estimar-se, reconhecer-se en cada fantasia feminina, em cada partezinha da pele é simplesmente sentir-se por opção, é um passo à auto-identificação que pode ajudar a superar os olhares impositivos, o domínio de outros sobre o corpo das mulheres. Pode permitir avançar um passo: do “sou uma necessidade para outros” ou “necessito de outros” para “opto por mim misma”. A apropiação da opção por si mesma, dita em palavras, é importante. Significa um enfrentamento às repressões sexuais instaladas no inconsciente, na cultura e em todos os aspectos da vida humana.


Masturbar-se, decomposta a palavra e sem ir a nenhum dicionário, poderia significar mais-turbar- se, confundir-se mais. Logo, desse ponto de vista, poderia ter esse significado, já que a volta à masturbação feminina pode ser um caminho com dificuldades e muitas vezes doloroso. A desconstrução da ideia religiosa do “corpo sujo” e do “corpo puro” geraria, por si só, duras confrontações e dificuldades para o reencontro pessoal e social, pois o corpo feminino estaria destinado à santidade. A decisão de fazer com que “meu corpo faça o que quero”, gera uma contraposição entre o costume de “ fazer sempre o que os outros querem para satisfazê-los” e o de “ faço de mim um corpo para o prazer e a satisfação sexual por ação consciente de minha liberdade”. É toda uma batalha na qual nem sempre o resultado é a satisfação própria, a decisão própria, a luta pela liberdade plena.


Estes são aportes e carecem de muito mais elementos a serem construídos, pouco a pouco, a começar pelos próprios ouvidos. Desejar, tanto quanto amar a si mesma, é um passo vital rumo à desconstrução da terrível fragmentação do corpo feminino. Desejar e amar a outros e outras, em busca de uma satisfação não opressiva, é parte de um feminismo profundamente humano, que desencadeia, retorna ao erótico como prática sexual profundamente crítica e extremadamente amorosa. Desde as palavras justas que dizem sem medo, aqueles temas “esquecidos”, “tabus”, “perigosos”, “de segunda ordem” ou “não tão políticos para o estado, a família, as relações afetivas” como são os da descriminalização do aborto, as orientações sexuais, etc.


Sem dúvida, para assumir a liberdade sexual integral que é o feminismo, há que começar a falar e transformar aquilo que está oculto entre tantos mitos e proibições sexuais, “porque do nu se fala em público, com amor e respeito acerca do que é o mais íntimo e proibido do corpo: os desejos sexuais femininos”.


*Feminista equatoriana e membro do CADTM no Equador

Tradução: Tárzia Medeiros